A história da dramaturgia brasileira é repleta de colaborações memoráveis, mas poucas se comparam à união de Nicette Bruno (1933-2020) e Paulo Goulart (1933-2014). Juntos por mais de cinquenta anos, eles formaram um dos casais mais respeitados e admirados do cenário artístico nacional. O vínculo entre eles começou nos bastidores do teatro em São Paulo e acompanhou momentos significativos na evolução do teatro e da televisão no Brasil.

O primeiro encontro de Nicette e Paulo ocorreu na década de 1950, quando ambos atuaram em uma companhia teatral em São Paulo. Nicette, já à frente de sua própria companhia, conheceu Paulo durante os ensaios da peça “Senhorita Minha Mãe”, escrita pelo dramaturgo francês Louis Verneuil. A química e o talento do jovem ator impressionaram a produtora, que o contratou para a temporada. A convivência nos ensaios rapidamente se transformou em um romance, culminando em um casamento discreto em fevereiro de 1954, na Igreja de Santa Cecília.

A parceria do casal se estendeu para o trabalho, resultando em uma série de produções teatrais ao longo das décadas, incluindo o aclamado “O Santo Milagroso”. Na televisão, eles brilharam juntos em obras icônicas, como “Éramos Seis”, exibida pela TV Tupi em 1977. Em suas carreiras individuais, Nicette se tornou eternamente lembrada como Dona Benta em “Sítio do Picapau Amarelo”, enquanto Paulo deixou sua marca em novelas como “Mulheres de Areia” e “O Profeta”.

Dessa união artística nasceram três filhos, todos seguindo a tradição familiar nas artes. Bárbara Bruno (70) construiu uma carreira como diretora e produtora, Beth Goulart (65) se destacou como atriz e dramaturga, e Paulo Goulart Filho (61) se tornou um renomado ator e coreógrafo. A vocação artística da família se estendeu às novas gerações, com netos que também se aventuraram nas artes cênicas e audiovisuais.

Paulo Goulart faleceu em 13 de março de 2014, aos 81 anos, após lutar contra um câncer renal. Nicette Bruno, por sua vez, faleceu em 20 de dezembro de 2020, aos 87 anos, em decorrência de complicações da Covid-19, deixando um legado significativo na cultura brasileira.

Fonte: caras.com.br