Neste domingo (9), o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) protagonizaram um debate acirrado, o primeiro entre os candidatos ao Governo de São Paulo nesta temporada eleitoral. O encontro, que teve repercussão em âmbito nacional, foi marcado por trocas de ofensas e acusações mútuas de desonestidade.

Haddad criticou Tarcísio por não reconhecer as parcerias entre o governo estadual e o federal, sugerindo que sua recusa em aceitar ajudas do governo Lula resultou em perdas significativas. Ele alegou que o governador deixou de ganhar R$ 1 bilhão mensais ao não aderir ao Propag, um programa de renegociação de dívidas. Tarcísio, por sua vez, defendeu sua postura, afirmando que não aceitaria interferências políticas e acusou o governo Lula de travar empréstimos essenciais para o estado.

Durante o debate, Tarcísio instou Haddad a deixar de lado a figura de Jair Bolsonaro, sua antiga referência política. Haddad, em resposta, questionou se o governador se envergonhava de sua associação com Bolsonaro. Tarcísio reafirmou sua gratidão ao ex-presidente, ressaltando que essa relação sempre será importante para ele.

Haddad também criticou a nomeação de Valéria Bolsonaro, deputada estadual, como secretária de Políticas Públicas para a Mulher, afirmando que ela era tia de Eduardo Bolsonaro, o que foi contestado pelo governador, que esclareceu que ela é apenas uma prima distante.

O ex-ministro atacou Tarcísio por ter usado o slogan “Make America Great Again”, associando-o a uma postura desfavorável para o Brasil diante de tarifas impostas pelos EUA. Haddad enfatizou a necessidade de união nacional contra ataques ideológicos e criticou o apoio do governador ao bolsonarismo.

O governador, por sua vez, questionou Haddad sobre propostas para a crise hídrica e o acusou de se alinhar ao negacionismo. Haddad, usando a oportunidade, atacou a postura de Tarcísio em relação à vacina e mudanças climáticas, sugerindo que isso poderia levar ao retorno de doenças erradicadas.

As privatizações também foram um tema central, com Haddad pedindo uma avaliação crítica das ações de Tarcísio nesta área. O governador justificou suas decisões afirmando que privatizações às vezes são necessárias, citando exemplos como a Sabesp, enquanto criticava o histórico do PT com estatais.

Na questão da segurança pública, Haddad apontou um aumento nos feminicídios em São Paulo e criticou a gestão atual por não combater efetivamente o PCC. Tarcísio, em resposta, destacou a redução de indicadores criminais e questionou a eficácia das ações de Haddad durante sua gestão na capital.

Por fim, Haddad criticou as mudanças na educação, alegando que São Paulo perdeu posições em avaliações nacionais de qualidade. Tarcísio rebateu, afirmando que os indicadores educacionais estão em ascensão e anunciou planos para melhorar o ensino técnico e a educação em matemática.

O debate, repleto de confrontos e acusações, destacou as diferenças entre os candidatos e suas visões para o futuro do estado de São Paulo.

Fonte: redir.folha.com.br