O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, anunciou sua candidatura ao governo de Minas Gerais, encerrando um período de incertezas. O político, que lidera as pesquisas em diversos cenários eleitorais, não compareceu à convenção estadual do partido devido ao luto pela morte de seu irmão, Matheus, que faleceu em decorrência de leucemia. Sua ausência gerou críticas sobre o comprometimento com a candidatura, levando o partido a cancelar o projeto. Cleitinho, no entanto, reafirmou sua intenção de concorrer.
Em um momento carregado de emoção, ele anunciou a desistência temporária de sua candidatura ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Contudo, no dia seguinte, pediu a palavra na convenção nacional e pediu para continuar na disputa.
Enquanto isso, o PL lançou Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, como candidato para apoiar Flávio Bolsonaro em Minas. Após alguns dias de incertezas, o Republicanos finalmente confirmou a candidatura de Cleitinho. Esse vaivém gerou confusão nas redes sociais, onde surgiram diversas teorias sobre sua indecisão. No dia 4 de agosto, quando Cleitinho voltou atrás na desistência, as conversas sobre o assunto aumentaram 2,3 vezes em relação à média da semana anterior.
Entre 3 e 5 de agosto, 40% das discussões em grupos de WhatsApp e Telegram foram sobre Cleitinho e sua candidatura. O nome de Flávio Bolsonaro foi mencionado em 32% das mensagens nesse período, um aumento significativo em relação aos 14% anteriores à desistência. Durante a controvérsia, mais de 60% das mensagens interpretaram a desistência como uma sabotagem, sustentando a ideia de que “ninguém abandona uma eleição ganha”.
Essa narrativa gerou especulações sobre possíveis boicotes, com algumas acusações direcionadas ao STF e ao ministro Flávio Dino, embora sem evidências concretas. Outros focaram em membros da direita, como o presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, e o deputado Nikolas Ferreira.
Além disso, surgiu uma teoria de que toda a situação seria uma estratégia para atrair atenção, e uma nova narrativa de traição começou a ganhar espaço, especialmente após o anúncio de que Cleitinho retornaria à corrida eleitoral. Essa confusão deixou os grupos de esquerda em tom de deboche, enquanto os apoiadores de Cleitinho viram um aumento no apoio, de 6% para 17% após o retorno à candidatura.
Com o registro de candidaturas se encerrando em 15 de agosto, Minas Gerais se aproxima da eleição com um cenário dividido entre Cleitinho e Roscoe, enquanto Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) se posicionam do outro lado. Cleitinho, mesmo liderando nas pesquisas, perdeu a narrativa de ser uma vítima do sistema, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta a difícil escolha entre apoiar um candidato que traz divisão ou unir forças com quem está à frente nas pesquisas.