Após o empate do São Paulo com o Bolívar na última terça-feira, 11, o zagueiro Robert Arboleda abordou um tema delicado em entrevista à ESPN: a depressão, que afeta muitos atletas de forma silenciosa. Arboleda, que marcou o gol do Tricolor na partida, pediu desculpas à torcida são-paulina pelo tempo em que esteve afastado do clube.

“Deixei uma mensagem no meu Instagram. Naquele momento, eu estava lidando com a depressão e só pensava em fugir. Meu problema era pessoal, não tinha a ver com a diretoria ou com meus companheiros, que eu amo”, explicou Arboleda. A depressão, que segundo dados de 2025 da Organização Mundial da Saúde atinge 4% da população global, pode ser um desafio sério para os atletas, que muitas vezes não buscam ajuda.

Nos últimos anos, diversos jogadores, como Andrés Iniesta, Thiago Ribeiro e Ronaldo Fenômeno, também já compartilharam suas experiências com a doença. O ex-jogador e atual presidente do Vasco, Pedrinho, detalhou sua própria luta em uma entrevista de 2004.

Roger Machado, treinador e professor na CBF Academy, destacou que a pressão do esporte de alto desempenho é um dos principais fatores que afetam a saúde mental dos atletas. “A cobrança por resultados e a exposição nas redes sociais aumentam essa pressão. O treinador, que também enfrenta essas emoções, deve estar atento ao bem-estar psicológico dos jogadores”, comentou.

A psicóloga Priscila Mendes, do Inter Minas, aponta que o futebol pode ser uma “panela de pressão”, levando a problemas emocionais. “Quando não há espaço para expressar sentimentos, o corpo começa a dar sinais, como ansiedade, insônia e queda de rendimento. Atletas não são máquinas; eles também sentem e adoecem”, afirmou.

Para cuidar da saúde mental dos atletas, muitos clubes contam com psicólogos. Roger enfatiza a importância de ter profissionais especializados, além de treinadores. “A psicologia deve ser parte da preparação de um atleta, contribuindo para concentração e tomada de decisão”, destacou.

Priscila Mendes também listou os principais sinais que indicam a necessidade de ajuda psicológica: tristeza constante, insônia, cansaço persistente, isolamento social e uso de substâncias para lidar com a pressão. Ela enfatiza a importância de buscar ajuda e desmistificar o estigma associado ao cuidado emocional. “Procurar apoio psicológico é um sinal de autocuidado, não de fraqueza”, concluiu.

Fonte: placar.com