O governo do Reino Unido iniciou uma consulta pública para proibir a publicidade de plataformas de apostas e corretoras de criptomoedas que não possuam licença de operação no país. A proposta, liderada pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA), busca proteger os cidadãos de fraudes e riscos financeiros, destacando que muitos clubes de futebol estão associados a empresas irregulares que não seguem as normas de segurança locais.
As novas diretrizes pretendem eliminar marcas não autorizadas de uniformes, placas de estádios e qualquer forma de publicidade esportiva. O foco é evitar que os torcedores acessem sites inseguros. Ricardo Magri, especialista em desenvolvimento de negócios no setor de iGaming, destaca que a situação na Inglaterra evidencia a confusão entre “Licença para Operar” e “Ambiente Regulatório”, enfatizando a importância de distinguir esses conceitos para proteger o consumidor.
João Fraga, CEO da Paag, complementa que a publicidade serve como uma ferramenta de educação do mercado, ajudando os consumidores a identificar operadores que atuam de forma regular e responsável. A presença de marcas não licenciadas dificulta essa distinção e compromete os objetivos da regulamentação.
Em relação às próximas etapas, o governo apresentou duas opções para a implementação das novas regras. A primeira, com vigência a partir de agosto de 2027, visa proibir imediatamente todas as marcas irregulares em eventos esportivos. A segunda opção, com início previsto para agosto de 2028, permitirá que contratos existentes continuem até essa data, dando tempo para que os clubes se adaptem.
Ministros britânicos expressaram preocupação com os riscos associados ao mercado não licenciado, incluindo a falta de proteção de dados, que pode levar a fraudes e roubo de identidade, além de ligações com o crime organizado. A secretária da Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, afirmou que os apostadores merecem utilizar sites devidamente regulados e que não é aceitável que operadores não licenciados patrocinem grandes clubes de futebol.
André Medeiros, Country Manager da Brazino777, ressaltou a importância da sinergia entre publicidade e licenciamento, afirmando que permitir que apenas empresas autorizadas comuniquem suas marcas fortalece a confiança do consumidor no mercado.
No Brasil, a regulamentação já impediu que empresas não licenciadas estampem suas marcas nos uniformes dos clubes, reforçando a integridade do mercado regulado. Ricardo Magri observa que essa abordagem clara no Brasil contrasta com os desafios que o Reino Unido enfrenta atualmente, enquanto Diego Bittencourt, COO da Start Bet, afirma que restringir a publicidade a empresas licenciadas é um passo fundamental para proteger os apostadores e equilibrar o mercado.