O presidente Lula (PT) dará início à sua última campanha presidencial neste domingo (16) em São Bernardo do Campo, São Paulo, sob o slogan “O Brasil pronto para mais”. Com 80 anos, ele busca o quarto mandato e pretende recontar sua trajetória política, ressaltando compromissos com a soberania nacional e tentando se conectar com o eleitorado jovem.

Aliados do presidente afirmam que o governo foi recebido em uma situação crítica após a gestão de Jair Bolsonaro. Eles esperam que, com a reeleição de Lula, o Brasil possa avançar significativamente. O evento também contará com a participação da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que terá a oportunidade de discursar após a crítica de Lula pela ausência de mulheres nas falas durante a convenção do PT.

O local escolhido, o estádio da Vila Euclides, possui um simbolismo forte, sendo um marco de manifestações durante a ditadura militar. Lula, que há quase 50 anos liderou uma greve de metalúrgicos ali, pretende demonstrar que ainda está na luta pelos trabalhadores, mesmo com as mudanças ocorridas no cenário político.

A expectativa é de que entre 20 mil e 30 mil pessoas compareçam ao evento, com caravanas de outros estados organizadas para garantir a lotação do estádio. A equipe de campanha de Lula busca evitar excessos no tempo de discurso, visando manter a atenção do público, ao contrário do que ocorreu na convenção do partido.

Lula enfocará em sua fala a defesa da soberania nacional, especialmente em relação a temas como tarifas e a influência dos Estados Unidos na política brasileira. O discurso também será direcionado ao público jovem, que, segundo pesquisas, vê Lula como parte do “sistema”. Ele quer relembrar sua imagem de sindicalista e opositor ao establishment, enfatizando sua longa trajetória em defesa dos trabalhadores.

Além disso, o presidente incluirá em sua fala temas relevantes para os idosos, um eleitorado crescente desde 2010. A campanha considera fundamental motivar essa faixa etária, que pode enfrentar dificuldades para se mobilizar. Serviços de saúde e educação também serão abordados, destacando as conquistas passadas, mas ressaltando que ainda há muito a ser feito.

A estrutura do evento incluirá imagens de arquivo, relembrando momentos marcantes das greves de Lula, e há a possibilidade de que ele improvise, como fez em outras ocasiões. Janja, além de discursar, tem atuado como porta-voz em questões como a violência contra a mulher, e sua presença na campanha será mais ativa do que se esperava.

Outros apoiadores, como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, também estão confirmados para a ocasião. Esta será a sétima vez que Lula concorre à presidência, tendo vencido em 2002, 2006 e 2022, e perdido em 1989, 1994 e 1998. Em 2018, sua candidatura foi barrada devido à sua prisão.

As pesquisas indicam uma disputa acirrada. Um levantamento recente mostra Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tecnicamente empatados nas intenções de voto para o segundo turno, com Lula liderando com 43% contra 40% do concorrente, dentro da margem de erro.