Cláudia Liz, icônica figura da moda brasileira, revisita sua trajetória desde os tempos em que deixou Goiás ainda adolescente em busca de sucesso. Com apenas 200 cruzeiros no bolso, ela desembarcou em São Paulo, sem saber o que o futuro reservava. “Eu vim com 200 cruzeiros no bolso num ônibus, sem saber o que ia acontecer com a minha vida”, recorda.
A decisão de mudar de vida surgiu após um conflito familiar. Cláudia revela que seu pai, rígido e machista, a expulsou de casa ao descobrir que ela tinha um namorado. “Ele era bem fechado, uma cabeça bem difícil”, explica. Sem alternativas, ela se lançou de cabeça na carreira de modelo e, em seu primeiro ano, conquistou o prêmio de modelo revelação no Canecão. “Eu agarrei aquela oportunidade e virei uma top model, um ícone da década de 90. Fiz, dei o meu melhor.”
Apesar do glamour das passarelas internacionais, que a levaram a países como Itália e França, Cláudia enfrentou desafios significativos. A comunicação com a família era limitada, tornando a experiência bastante solitária. “Você vivia no isolamento. Era bem difícil”, lembra. A pressão pela aparência também afetou sua autoestima, e mesmo com o reconhecimento, ela lutou contra a dúvida sobre si mesma. “Durante muito tempo eu tive baixa autoestima […] não acreditava em mim.”
Além de sua carreira no mundo da moda, Cláudia explorou a televisão e o cinema, sempre em busca de novos desafios. A pintura, uma paixão antiga, começou a ganhar destaque em sua vida. “Eu falei, pintar. Então ele falou, é isso”, revela sobre a decisão de se dedicar à arte.
Mãe de Luca, Cláudia também fala abertamente sobre os desafios da maternidade. Reconhecendo o amor incondicional que sente pelo filho, ela não evita mencionar as dificuldades da vivência. “Foi difícil pra caramba. Eu não romantizo. É maravilhoso você ser mãe, mas é uma experiência desafiadora.” Após a morte do pai de Luca, os dois precisaram se adaptar a uma nova rotina sem a presença da família.
Hoje, após décadas de carreira, Cláudia se concentra na arte e na realização pessoal, utilizando suas experiências para enriquecer seu trabalho como pintora.