A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta importante para os médicos, desaconselhando a publicação de fotos de pacientes nas redes sociais profissionais. A medida surge em resposta às novas diretrizes do ECA Digital (Estatuto da Criança e do Adolescente) e ocorre em um momento em que a proteção da privacidade infantil se torna cada vez mais relevante.

O documento, que será lançado nesta quinta-feira (20), orienta os pediatras sobre o uso ético das imagens de crianças e adolescentes. Nele, a SBP critica práticas como a exposição de crianças em hospitais e a divulgação de casos raros que possam ser identificáveis. Além disso, o compartilhamento de imagens clínicas em aplicativos pessoais é classificado como inadequado.

A entidade enfatiza a responsabilidade ética dos profissionais, ressaltando que as crianças não podem compreender as consequências de sua exposição digital. “Informações que parecem isoladas podem, quando combinadas, possibilitar a identificação do paciente, aumentando os riscos à privacidade e à dignidade”, alerta o documento.

O texto também aborda a cautela necessária em situações cotidianas, como o uso informal de aplicativos de mensagens e o compartilhamento de exames. Embora não haja uma proibição explícita, a SBP adverte sobre os perigos da exposição inadequada de dados sensíveis.

A organização sugere que os médicos se façam seis perguntas antes de publicarem qualquer conteúdo, considerando a possibilidade de identificação, o propósito da postagem e se há risco de exploração emocional. A SBP reitera que o consentimento dos pais não é uma autorização irrestrita para a exposição digital das crianças, deixando a responsabilidade de avaliação nas mãos dos profissionais.

Fonte: redir.folha.com.br