O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição, não estará presente na primeira visita de Flávio Bolsonaro (PL) à periferia da capital paulista desde o início da campanha eleitoral. O senador se dirigirá ao Mercadão de São Miguel, na zona leste, nesta quinta-feira (20), às 9h, acompanhado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), responsável pela organização do evento. Eles também visitarão o Armazém Solidário, um mercado que oferece preços reduzidos para inscritos no CadÚnico.
Após essa atividade, Flávio e Nunes seguirão para o CDC Waldemar Moreno, na Vila Formosa, onde participarão de uma roda de conversa. Enquanto isso, Tarcísio estará em um compromisso agendado com a rádio CBN, que realiza sabatinas eleitorais. Há a possibilidade de que se encontrem posteriormente em um almoço com empresários da zona leste, também organizado por Nunes, no Hocca Bar do Shopping da Mooca.
A ausência do governador gerou insatisfação entre os aliados de Flávio em São Paulo, que criticam o apoio considerado apenas protocolar de Tarcísio ao filho de Jair Bolsonaro. Um parlamentar do grupo, que preferiu não se identificar, afirmou que a agenda de Flávio era conhecida e que Tarcísio poderia ter ajustado sua programação. As queixas incluem a falta de menções a Flávio nas redes sociais do governador, bem como sua ausência no debate promovido pela Band no dia 9, onde não foi citado.
Durante uma sabatina na rádio Jovem Pan, Tarcísio, ao ser questionado sobre sua identificação com o bolsonarismo, sugeriu que algumas posturas do ex-presidente deveriam ser abandonadas. Ele reforçou sua identificação com o movimento, mas destacou a importância de rechaçar o que não faz sentido, mencionando também esforços de seu governo na ampliação da cobertura vacinal.
Flávio Bolsonaro decidiu estabelecer um quartel-general em São Paulo antes do início da campanha, com a expectativa de que uma vitória expressiva no estado poderia impulsionar seu desempenho nacional. Sua equipe considerou a ideia de dividir um espaço com a campanha de Tarcísio, mas a proposta não avançou devido à resistência do governador, resultando em comitês separados em bairros distintos da zona sul.
Por outro lado, Nunes tem sido reconhecido pelos bolsonaristas por seu empenho em apoiar Flávio, apesar de haver resistência em se associar ao prefeito, considerado com um perfil ideológico diferente. O prefeito organizou reuniões do candidato com vereadores da capital para fortalecer alianças nas periferias e também solicitou apoio a Flávio em conversas com prefeitos da região metropolitana.
Na noite de terça-feira (18), Nunes, Tarcísio, Roberto Carneiro (presidente estadual do Republicanos) e Vicente Santini (integrante da campanha de Flávio) se reuniram para discutir estratégias de campanha. Durante esse encontro, Tarcísio comunicou sua ausência na agenda de quinta-feira, e Nunes afirmou que isso não seria um problema. O grupo possui 11 possíveis datas para eventos que reunir os candidatos ao governo e à Presidência e está negociando a programação final.
A campanha de Tarcísio não se manifestou sobre as críticas feitas pelos apoiadores de Flávio, embora um aliado próximo do governador tenha reconhecido uma certa frieza em relação ao candidato até o início da campanha, especialmente após o vazamento de um áudio em que Flávio pedia recursos para financiar um projeto. No entanto, esse aliado acredita que, com o início da campanha, Tarcísio se dedicará a apoiar a candidatura de Flávio contra Lula (PT).
Fonte: redir.folha.com.br