Watatakalu Mehinako Yawalapiti, uma influente líder indígena de 46 anos do Território do Xingu, destaca-se no movimento indígena brasileiro como coordenadora da Anmiga, articulação nacional das mulheres indígenas. Ela afirma que a tecnologia a permite atuar de Brasília, mesmo residindo em sua comunidade, e revela as fragilidades da liderança masculina em questões críticas como a exploração de recursos naturais e a pressão do agronegócio.
Localizado em Mato Grosso, o Território do Xingu, que completa 65 anos desde sua criação, é governado por uma associação que reúne 16 etnias. Watatakalu aponta os principais desafios enfrentados, como a invasão de madeireiros, a contaminação por agrotóxicos e a pesca ilegal, que afeta a dieta tradicional da população, baseada em peixes e mandioca. Ela também observa que muitos indígenas estão tentando imitar modos de vida não indígenas, o que representa uma ameaça à cultura local.
A líder relaciona a intensificação das invasões ao governo de Jair Bolsonaro, destacando que as ações de madeireiros e projetos de pesca esportiva se agravaram desde 2019. Ao comentar o cenário político atual, Watatakalu expressa apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que seu governo busca reverter os danos causados por seu antecessor.
Watatakalu é descendente de uma linhagem que quase desapareceu, com os Yawalapiti reduzidos a cerca de dez indivíduos antes da criação da reserva. Graças a esforços de revitalização, a população hoje é de aproximadamente 400 pessoas. Ela possui uma conexão forte com sua cultura, tendo estudado em uma escola de Canarana, mas mantendo tradições, como o resguardo após a menstruação.
Embora utilize as redes sociais para se manter informada e conectar-se com outras mulheres indígenas, a líder também valoriza informações de veículos de comunicação tradicionais. Para ela, é essencial que seus filhos vivam a cultura indígena, limitando o uso de celulares e incentivando atividades ao ar livre e a escuta das histórias dos mais velhos.
Fonte: redir.folha.com.br