As candidaturas para as eleições de 2026 têm gerado polêmica, especialmente com as incertezas envolvendo figuras como o senador Cleitinho, do Republicanos, e o ex-prefeito de Maceió JHC, do PSDB. Ambos enfrentam idas e vindas em suas definições, alternando entre concorrer ao governo ou ao Senado, e essas indefinições persistiram mesmo após as convenções partidárias.

Essas convenções, que ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto, deveriam ser o momento decisivo para que os partidos escolhessem seus candidatos. No entanto, a realidade foi diferente: muitos partidos optaram por adiar essa decisão até 15 de agosto, prazo final para registro das candidaturas. A legislação eleitoral é clara ao afirmar que as convenções devem escolher os candidatos, mas a prática tem mostrado uma tendência crescente de delegar essa responsabilidade a comissões executivas.

Uma análise das atas das convenções de 2018, 2022 e 2026 revela que a fatia de convenções que não lançam candidatos próprios se manteve estável. O que mudou foi a forma como os candidatos são escolhidos. A delegação dessa decisão às comissões executivas aumentou de 12% para 36%, enfraquecendo o papel das convenções como instâncias decisórias.

Esse fenômeno é mais evidente entre os partidos de centro e direita. Em 2026, 46% das decisões de escolha de candidatos nesses partidos foram delegadas, em comparação a 29% entre as siglas de centro-esquerda e esquerda. Além disso, muitas atas permitem que as comissões executivas revisem decisões tomadas pelas convenções, concentrando o poder nas mãos de um pequeno grupo ou até de um único dirigente.

Esse movimento de esvaziamento das instâncias coletivas ocorre com a anuência da Justiça Eleitoral, que desde 2002 considera válida a delegação de decisões às comissões executivas. Isso contrasta com a postura do STF em relação às comissões provisórias, que foram limitadas devido à falta de representatividade democrática.

Um ponto importante a ser destacado é que muitas dessas comissões executivas são, elas próprias, nomeadas por comissões provisórias, o que levanta preocupações sobre a concentração de poder e o afastamento dos partidos da sociedade.

Fonte: redir.folha.com.br