Cibercriminosos estão utilizando uma tática inovadora para infectar computadores com Windows, através de mensagens automáticas de servidores FTP. Essa abordagem, que começou a ser detectada em julho de 2026, tem como objetivo instalar dois novos vírus de controle remoto, E4del e PINHOLE, sem levantar suspeitas imediatas.

A descoberta foi feita pelo grupo independente MalwareHunterTeam, que analisou um arquivo suspeito no México e notou a peculiaridade da técnica. O coletivo compartilhou suas observações na plataforma X, onde destacou como o atalho malicioso aproveita mensagens de saudação dos servidores FTP para enviar comandos maliciosos. A SOCRadar também corroborou essa análise em um relatório técnico divulgado em 21 de agosto.

De acordo com os pesquisadores, a estratégia dos cibercriminosos transforma a resposta inicial dos servidores em um canal de comunicação discreto para ordens a máquinas comprometidas. Isso representa uma nova abordagem, já que, tradicionalmente, os invasores utilizam serviços da web como GitHub ou YouTube para se camuflar no tráfego da rede.

O ataque se inicia com o envio de e-mails falsos que contêm arquivos compactados, muitas vezes disfarçados como comprovantes de pagamento. Ao abrir esses arquivos, o sistema busca uma mensagem de boas-vindas do servidor, que, em vez de ser inofensiva, contém comandos que instalam os vírus.

O E4del se disfarça como o aplicativo Discord para evitar detecções, operando em segundo plano e com capacidade de gravar telas e executar comandos. Por sua vez, o PINHOLE utiliza técnicas avançadas para escapar de antivírus, dividindo seu código em camadas protegidas na memória do computador e se comunicando através de endereços escondidos em plataformas populares como Pinterest.

Com 14 funções distintas, o PINHOLE é capaz de roubar arquivos, registrar atividades de tela e capturar credenciais salvas em navegadores. Os especialistas da SOCRadar observaram que, até o momento da análise, apenas 11 execuções do PINHOLE foram registradas, sugerindo que a campanha criminosa ainda está em sua fase inicial.

A SOCRadar recomenda que as organizações adotem medidas mais rigorosas, como restringir a execução de programas não autorizados e monitorar o tráfego de protocolos de rede, para mitigar os riscos de infecção.

Fonte: www.tecmundo.com.br