Durante uma entrevista ao Jornal Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra”, uma declaração que pegou de surpresa os integrantes de sua campanha. O termo, usado de forma espontânea por Lula, não havia sido discutido previamente nos ensaios da sabatina.

Lula questionou a integridade das comunicações pessoais, fazendo uma analogia sobre o que poderia ser encontrado em um celular: “O que uma pilantra pode fazer num telefone ou um cara qualquer pode fazer num telefone?”, indagou. A escolha das palavras foi considerada arriscada por um membro da sua equipe, que alertou para uma possível reação da empresária.

Nos preparativos para a entrevista, foi acordado que Lula expressaria decepção em relação ao filho Fábio Luís, o Lulinha, e ao ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, mas sem se distanciar deles de maneira artificial. O presidente também reafirmaria a inocência de ambos em relação ao escândalo do INSS até que se prove o contrário.

A estratégia da campanha incluía evitar uma negação explícita de vínculos com Marcola ou com o senador Jaques Wagner, que também foi implicado em questões relacionadas ao caso Master, para não subestimar a inteligência do eleitor. Além disso, afastar-se do filho seria ainda mais problemático.

No entanto, Lula cometeu um deslize ao afirmar que nunca havia encontrado Luchsinger, apesar de existirem fotos dela ao seu lado em redes sociais.