Um novo jogo de cartas, intitulado “Censura”, traz à tona figuras emblemáticas da ditadura militar brasileira, como a advogada Eunice Paiva, o jornalista Vladimir Herzog e o líder político Leonel Brizola. Desenvolvido pelo estúdio Tijolo, formado por três amigos de São Paulo e do Rio de Janeiro, o jogo revisita momentos marcantes do regime autoritário que perdurou entre 1964 e 1985.

Atualmente em fase final de financiamento coletivo, “Censura” tem lançamento previsto para novembro. Renato Sasdelli, um dos criadores, destaca que o objetivo é proporcionar uma experiência lúdica que leve os jogadores a refletirem sobre a sociedade contemporânea. A equipe, composta também pelos designers Alex Olteanu e Max Duarte, já lançou anteriormente o jogo “Imperialismo: América”, que explora as relações dos Estados Unidos com a América Latina durante a Guerra Fria.

O projeto “Censura” nasceu após feedback de professores do ensino médio que apreciaram o enfoque de “Imperialismo: América”, mas buscavam uma opção mais acessível. O novo jogo terá um preço estimado em R$ 100, em comparação aos R$ 230 do antecessor. A intenção é também abordar a história recente do Brasil de forma didática, sem perder a leveza.

O jogo é recomendado para maiores de 14 anos e pode ser jogado por até quatro pessoas, além de contar com um modo solo. Composto por 44 cartas, “Censura” apresenta eventos em ordem cronológica, como a criação do SNI em 1964 e o AI-5 em 1968. Cada carta oferece recomendações que interligam diferentes aspectos do jogo, como as cartas de Luta e Personagens, que incluem nomes como a advogada Therezinha Zerbini e o cartunista Ziraldo.

As ilustrações das cartas são inspiradas no movimento tropicalista e em obras de artistas como Millôr Fernandes e Laerte. O designer gráfico Max Duarte destaca que a capa do álbum de Gilberto Gil e Mutantes, de 1968, também influenciou o design. Durante testes em eventos, como o Diversão Offline em São Paulo, “Censura” recebeu uma recepção positiva do público.

Fonte: redir.folha.com.br