O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma análise de um documento da Polícia Federal que contém mensagens de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nessas mensagens, Vorcaro solicita a atuação de “Andrei e Paulo” em seu favor, referindo-se a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Inicialmente, o destinatário das mensagens não foi identificado, mas a PF levantou a hipótese de que o ministro Alexandre de Moraes poderia ser a pessoa em questão. A informação foi divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha. Mendonça estabeleceu um prazo de cinco dias para a manifestação da PGR sobre o conteúdo do documento.
As mensagens de Vorcaro, que foram trocadas a partir de 30 de outubro do ano passado, foram analisadas pela PF. Ele foi preso em 17 de novembro, enquanto se preparava para viajar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central. Em uma das mensagens, Vorcaro menciona ter recebido “informações informais e em confidência” de pessoas do Banco Central, sugerindo que diretores estavam sob pressão para tomar medidas contra ele.
Vorcaro relatou que havia investido R$ 800 milhões no Master e que aguardava a entrada de mais R$ 400 milhões. Ele enfatizou a necessidade de “reforçar” sua solicitação a Andrei e Paulo para evitar problemas, mencionando que estava disponível para discutir a situação. Outra mensagem, divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, indicava que ele tentava atrasar uma operação, sugerindo que isso poderia evitar a falência do banco.
Em março, surgiram informações sobre trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes no dia de sua prisão. Durante essas conversas, o banqueiro discutiu negociações para tentar salvar o Banco Master, mencionando um acordo com a financeira Fictor. Após confirmar esse suposto acordo, Moraes negou ter recebido as mensagens citadas, classificando-as como “ilações mentirosas”.
Além disso, foi revelado que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, manteve um contrato com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando R$ 129 milhões em três anos.
Fonte: redir.folha.com.br