O filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, que o incluísse em um evento jurídico em Londres, cujas despesas seriam cobertas por Vorcaro, conforme um relatório da Polícia Federal. O evento, que estava programado para o ano passado, não se concretizou e, em novembro do mesmo ano, Vorcaro foi preso durante uma operação que envolveu o banco.

A comunicação entre Gonet e Vorcaro ocorreu através do advogado Ciro Soares, que inicialmente contatou Vorcaro em abril de 2024. Durante a troca de mensagens, Soares demonstrou proximidade com Gonet e mencionou a possibilidade de o procurador participar do evento em Londres. Em conversas subsequentes, Soares compartilhou fotos e mensagens de Gonet, indicando que o procurador estava interessado na viagem.

Em um momento, uma funcionária de Vorcaro questionou se a lista de convidados estava aprovada, e embora ele não tenha concordado com todos os nomes, confirmou que Pedro Gonet e Ciro Soares teriam suas despesas pagas. Por meio de nota, Soares afirmou que não há segredos em relação à lista de convidados, ressaltando que o evento era aberto ao público e que não ocorreu nenhuma ilegalidade.

Além disso, mensagens trocadas em março de 2024 revelaram discussões sobre a participação do ministro do STJ, Luis Felipe Salomão, no evento. Salomão manifestou interesse em levar seu filho, e outros ministros também foram abordados sobre o convite.

A situação ganhou novos contornos quando, na semana passada, o ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, requisitou à Procuradoria Geral da República uma resposta sobre mensagens em que Vorcaro menciona a atuação de “Andrei e Paulo” em seu benefício. A Polícia Federal investiga se “Andrei” se refere ao diretor-geral da PF e “Paulo” ao procurador.

Ainda segundo os documentos da PF, o próprio diretor-geral da PF foi convidado para o evento. O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, indicou que o convite seria aceito, e Vorcaro pediu que as tratativas seguissem.

A reportagem tentou contato com Gonet, Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. A Polícia Federal continua a investigar as relações e convites relacionados ao caso.

Fonte: redir.folha.com.br