Mensagens recuperadas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, revelaram a suposta atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em favor de Vorcaro, desencadeando uma crise sem precedentes no Judiciário. A decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo da investigação, anunciada na terça-feira (1º), expõe diálogos entre os dois, ocorridos dias antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federal.
Nos conteúdos, Vorcaro questiona Moraes se deveria deixar o Brasil e solicita encontros para discutir questões ligadas a uma investigação sobre fraude bancária bilionária, em que ele é um dos principais alvos. As mensagens indicam que os dois se encontraram pelo menos seis vezes. Além disso, documentos recuperados pela PF revelam que Moraes fez alterações em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa e o Banco Master antes de sua assinatura.
A revelação das mensagens intensificou a disputa interna no STF e gerou pressão da oposição pelo impeachment de Moraes. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também mencionado nas conversas, pediu a anulação do relatório da PF, acusando Mendonça de utilizar a polícia para promover a investigação. Mendonça, por sua vez, solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de uma sessão presencial para discutir as mensagens.
As comunicações entre Vorcaro e Moraes foram feitas por meio de mensagens de visualização única, que desaparecem após serem lidas, e foram recuperadas pela PF. O ex-banqueiro, que foi preso em 17 de novembro de 2025, estava prestes a embarcar em um jato particular para Malta. Em troca de mensagens datadas de 14 e 15 de novembro, Vorcaro questiona Moraes sobre a necessidade de deixar o país e confirma encontros.
O relatório da PF revela também que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, intermediou o contato entre Vorcaro e Moraes, repassando números de telefone e organizando encontros. Em janeiro de 2024, Faria voltou a se comunicar com Vorcaro sobre o andamento de um contrato entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master, que previa a transferência de aeronaves como pagamento.
No Senado, a oposição aumentou a pressão por um possível impeachment de Moraes, embora reconheça a dificuldade em conseguir apoio devido à falta de votos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) exigiu a renúncia de Moraes, enquanto aliados de Lula (PT) minimizaram os impactos das revelações sobre a candidatura à reeleição do presidente.
As investigações da PF continuam, revelando uma trama complexa que envolve altos membros do Judiciário e questões financeiras significativas.
Fonte: redir.folha.com.br