Um novo malware brasileiro, conhecido como “BraZetsu”, está transformando computadores corporativos invadidos em produtos comercializáveis no submundo do crime cibernético. Revelado nesta segunda-feira (31) pela empresa de inteligência cibernética Group-IB, o vírus afeta sistemas Windows e oferece o controle remoto das máquinas a partir de R$ 30 (aproximadamente US$ 5,80 em criptomoedas).
O BraZetsu opera como uma ferramenta para corretores de acesso inicial, que invadem redes apenas para vender o acesso a outros criminosos. O malware analisa o sistema da vítima, identificando dados valiosos e listando essas informações em um mercado clandestino. Isso permite que golpistas realizem fraudes sem precisar realizar invasões diretas.
De acordo com os analistas de malware Julio Guapo Menezes e Miguel Salazar, o BraZetsu se diferencia de outros ataques cibernéticos por ser um “kit mestre” que transforma sistemas comprometidos em ativos comerciais altamente lucrativos. O programa prioriza arquivos de remessa bancária, certificados digitais e sistemas de gestão amplamente utilizados, como TOTVS e SAP.
A origem do nome combina “Brasil” e “Zetsu”, uma referência a um personagem de mangá que atua nas sombras. As operações são atribuídas ao grupo Exilware, formado por falantes nativos de português. As vendas dos acessos se realizam no mercado clandestino Infect Marketplace, onde compradores pagam uma taxa para acessar a lista de computadores vulneráveis.
As investigações descobriram que os invasores utilizam inteligência artificial para escrever o código do malware e selecionar alvos. O sistema avalia o perfil do computador infectado e foca em informações financeiras, aumentando a eficiência dos ataques. A contaminação inicial é frequentemente realizada através de golpes de engenharia social, como e-mails falsos com notificações de cobrança.
Além disso, o malware é projetado para manipular registros financeiros de forma sofisticada, garantindo que os documentos permaneçam válidos durante o processamento bancário. Essa evolução nos ataques digitais indica uma mudança significativa na forma como grupos criminosos operam, estabelecendo uma cadeia comercial de invasões direcionadas a empresas e serviços essenciais.
Por fim, a situação ressalta a crescente complexidade e sofisticação dos ataques cibernéticos no Brasil, exigindo uma atenção redobrada às medidas de segurança.