Figuras proeminentes envolvidas nos escândalos do mensalão e da Lava Jato, que têm vínculos históricos com o Partido dos Trabalhadores (PT), estão de volta à disputa eleitoral de 2026. José Dirceu, João Paulo Cunha, Delúbio Soares e André Vargas buscam candidaturas à Câmara dos Deputados, apesar de uma queda significativa em sua influência dentro do partido.
Durante as campanhas, esses candidatos mencionam “momentos difíceis” em suas trajetórias, mas focam mais em suas experiências anteriores às prisões, celebrando o presidente Lula e defendendo bandeiras atuais, como a redução da carga de trabalho e a defesa da soberania nacional. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, destacou sua intenção de ajudar Lula a governar e ampliar a bancada do partido durante uma entrevista recente. Em sua campanha por Goiás, Delúbio se apresenta como “amigo de Lula” e utiliza um chapéu panamá semelhante ao do presidente, reforçando sua imagem.
A relação de Delúbio com o PT é marcada por altos e baixos. Ele foi expulso em 2005 após o escândalo do mensalão e posteriormente condenado na Lava Jato. Cumpriu mais de dois anos de prisão e foi libertado em 2016 por um indulto de Natal. Em 2023, o STJ anulou sua condenação da Lava Jato, reconhecendo que o processo deveria ter sido julgado na Justiça Eleitoral.
João Paulo Cunha, que também enfrenta um passado conturbado, tenta retornar ao Congresso após mais de uma década fora. Ele foi condenado no caso do mensalão e preso em 2014, mas ganhou liberdade com um indulto em 2016. Agora, se apresenta como um candidato mais experiente, disposto a colaborar com Lula na melhoria do país.
Zé Dirceu, de 80 anos, um dos nomes mais emblemáticos do PT, também busca uma vaga na Câmara. Ele recebeu um depoimento de apoio de Lula, que o descreveu como uma “reparação histórica”. Dirceu teve uma trajetória marcada por condenações relacionadas ao mensalão e à Lava Jato, que foram anuladas pelo STF em 2024.
André Vargas, ex-vice-presidente da Câmara, também está de volta após ter suas condenações anuladas. Ele passou três anos na prisão e retornou ao PT em 2023, focando na reconstrução do partido em sua região. Vargas destaca que sua experiência e lealdade ao projeto de Lula são diferenciais em sua candidatura.
Esses políticos estão se reerguendo em um cenário eleitoral desafiador, buscando recuperar espaço e influência no PT e no Congresso Nacional.
Fonte: redir.folha.com.br