As eleições de 2026 para a Câmara dos Deputados marcaram um recorde negativo, com a menor proporção de votos de legenda desde 1998. De acordo com uma análise da Folha baseada em dados do TSE, apenas 2,8% dos 124 milhões de votos totais foram direcionados diretamente para os partidos, totalizando 3,4 milhões de votos.
Em 1998, essa proporção era significativamente maior, alcançando 11,3%. Nas eleições proporcionais, os eleitores têm a opção de votar em um candidato ou diretamente em um partido, usando apenas os números que identificam a legenda. Os votos são então somados para definir a quantidade de cadeiras que cada partido pode ocupar, sendo necessário atingir pelo menos 10% do quociente eleitoral do estado.
Curiosamente, quatro partidos com a maior porcentagem de votos de legenda na eleição, incluindo PCO (42%) e PSTU (32,7%), não conseguiram eleger nenhum deputado federal. Em contraste, a Rede, que conquistou ao menos uma cadeira, registrou 19% dos votos de legenda. A federação PSOL/Rede elegeu 15 deputados.
Em termos absolutos, o PT obteve o maior número de votos de legenda, totalizando 1 milhão, o que representou 6,9% do total de votos do partido, que elegeu 70 deputados. O PL, que terá a maior bancada da próxima legislatura com 121 deputados, recebeu 623 mil votos na legenda, equivalendo a 2,4% do total.
Além disso, a tendência de queda na proporção de votos de legenda também se refletiu nas Assembleias Legislativas e na Câmara do Distrito Federal, onde apenas 5,8% dos votos foram para as legendas, comparado a 12,2% em 1998.