Após a conclusão da terceira eleição consecutiva marcada pela polarização entre petismo e bolsonarismo, a expectativa recai sobre a possibilidade de um novo embate em 2030. É evidente que teremos candidaturas competitivas nas extremidades do espectro político, mas a configuração exata dessas candidaturas só deverá se desenhar nos próximos dois ou três anos.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um respiro para a esquerda, que evita uma derrota significativa. Com isso, o partido ganha um tempo precioso para discutir a renovação de lideranças após quatro décadas dependente de Lula. Embora o presidente continue a influenciar sua sucessão, seu declínio político nos próximos anos pode abrir espaço para novas figuras.
Fernando Haddad, ex-ministro e provável próximo portador de um ministério de destaque, como a Casa Civil, é visto como o sucessor natural. No entanto, seu histórico de derrotas — incluindo quatro campanhas malsucedidas — levanta dúvidas sobre sua capacidade de liderar o PT em uma nova fase vitoriosa.
A ala nordestina do partido, fortalecida nas eleições, deverá fazer contraponto a Haddad. Líderes como Camilo Santana (CE) e Rui Costa (BA) enfrentam o desafio de transitar para a política nacional se quiserem ser considerados para a presidência. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é cogitado, mas sabe que o PT tende a monopolizar a candidatura.
No campo da direita, a derrota inesperada deixou a situação confusa. Flávio Bolsonaro (PL), apesar de envolvido em polêmicas, saiu fortalecido e pode tentar novamente em 2030, especialmente se Lula não estiver na disputa. No entanto, sua falta de mandato pode ser uma desvantagem significativa.
Por outro lado, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, se destaca por sua posição à frente do maior estado do Brasil. Sua lealdade ao bolsonarismo, demonstrada durante a última campanha, pode ser recompensada em 2030.
Por fim, o centro político parece ter perdido força nas últimas eleições. Há quem aposte que, em quatro anos, uma “terceira via” competitiva possa emergir, com nomes como Raquel Lyra (PSD) sendo lembrados. No espectro da direita não bolsonarista, Renan Santos (Missão) também sinaliza seus planos para o futuro, mas ambos ainda parecem distantes de se tornarem alternativas viáveis.
Fonte: redir.folha.com.br