Perfis ligados a Jair Bolsonaro relataram, em transmissões ao vivo e postagens na plataforma X, que receberam propostas financeiras para atacar nas redes sociais apoiadores de grupos rivais dentro do próprio Partido Liberal (PL). As declarações surgiram durante uma live no Space Arena, moderada por Rafael Cavalcanti, que promove discussões entre apoiadores da direita desde o início da pré-campanha eleitoral.
Na transmissão realizada em 25 de agosto, os participantes discutiram uma lista com 50 perfis alvos de ataques, com 58 usuários ativos na conversa. A live foi pública e estava disponível no perfil de Cavalcanti antes de sua desativação, que ocorreu após o dia 21 de outubro. Mensagens trocadas entre os apoiadores revelaram instruções para bloquear e silenciar perfis adversários, com algumas orientações atribuídas a Eduardo Bolsonaro, conforme um dos participantes.
A Folha tentou contato com o ex-deputado, que afirmou desconhecer a situação por meio de seu aliado Paulo Figueiredo. Os perfis mencionados são de apoiadores ativos e representam diferentes facções do bolsonarismo. Durante a live, um participante questionou sobre a veracidade de uma proposta de pagamento para “cancelar” pessoas da lista, enquanto outro confirmou a existência da lista, mas negou ter aceitado a oferta.
O custo para cada ataque seria de R$ 100, mas um dos usuários declarou que não se venderia. Ele também mencionou que estava recebendo dinheiro para realizar campanhas fora das redes sociais em apoio a pré-candidatos do PL. Após a live, outros perfis continuaram a discutir as instruções para ataques coordenados, agora direcionados a apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tinha sido criticado por Eduardo Bolsonaro por falta de engajamento na campanha de Flávio Bolsonaro.
Nikolas foi mencionado em apenas 10 de seus 544 posts na plataforma durante um período de quatro meses, o que gerou tensões internas. Um dos participantes da lista de alvos questionou se as perseguições virtuais eram financiadas com recursos do partido, dirigindo um questionamento diretamente ao PL e a Flávio Bolsonaro.
A reportagem da Folha também buscou respostas da assessoria do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro, mas não obteve retorno. O anfitrião da Space Arena, Rafael Cavalcanti, também não foi localizado para comentários.
Fonte: redir.folha.com.br