O presidente do PT, Edinho Silva, está prestes a entrar em conflito com um grupo interno do partido conhecido como “centrão petista”. Essa disputa pode levar à expulsão de membros considerados fora da linha em relação à proposta de renovação defendida por Lula.

Com o apoio do presidente, Edinho tem defendido um rompimento com esses integrantes, acusados de falta de comprometimento durante a campanha presidencial. Na última quinta-feira (29), durante uma reunião da Executiva Nacional do PT, ele sugeriu que dirigentes que se afastaram no momento crucial da eleição deveriam deixar o partido. Isso ocorreu enquanto Lula lutava para vencer Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.

Em seu discurso, Edinho mencionou a possibilidade de um “divórcio litigioso”, ou seja, expulsões. Após a reunião, ele revelou ter se encontrado com Lula para discutir o futuro do PT. Edinho reiterou uma mensagem atribuída a Lula, destacando que o partido deve ser um projeto coletivo e não um meio para interesses pessoais. Ele ainda ressaltou o agradecimento público de Lula por sua coordenação na campanha e propôs a formação de uma nova maioria na legenda.

Os participantes da reunião entenderam que Edinho recebeu a missão de expulsar dissidentes, com Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), sendo o primeiro alvo. Quaquá, que já enfrentou críticas por sua atuação e por ter se afastado durante a campanha, respondeu chamando Edinho de mentiroso e criticando sua gestão à frente do partido.

Além de Quaquá, outros petistas também estão na mira de Edinho, que mantém registros de materiais de campanha que não incluíam o nome de Lula. Em setembro, o presidente do PT já havia exigido que o nome de Lula e dos candidatos apoiados pelo partido aparecessem nos panfletos distribuídos, ameaçando até pedir a devolução de verbas do fundo eleitoral em caso de descumprimento.

A tensão interna se intensifica em um momento em que Lula enfatiza a necessidade de o PT se alinhar com as demandas populares. Ele alertou que, se o partido não responder aos apelos dos jovens que o apoiaram, poderá haver a formação de uma nova legenda.

Essas movimentações podem reabrir rachas dentro da corrente que apoia Lula, a CNB (Construindo um Novo Brasil), onde Edinho e seus adversários coexistem. Apesar de um acordo prévio que uniu Quaquá a Edinho na disputa pela presidência do PT, a situação atual revela um cenário de rivalidade crescente.

Fonte: redir.folha.com.br