Guilherme Boulos criticou a defesa de ajustes fiscais por parte de alguns setores, afirmando que isso demonstra uma falta de compreensão da mensagem transmitida nas urnas durante as eleições. Para ele, a forte queda dos ativos financeiros após o segundo turno representa uma “chantagem” do mercado contra o governo e a população.

Boulos argumenta que a virada nas eleições não se concentrou em questões econômicas, mas sim em uma reação política contra a corrupção e a ultradireita. Ele vê a votação como um grito coletivo de repúdio à família Bolsonaro, e não como um apoio ao governo de Lula. Se a esquerda não captar essa nuance, ele alerta que pode haver um retorno do bolsonarismo.

O primeiro turno trouxe uma mensagem dupla: os eleitores expressaram descontentamento com o governo Lula, enquanto o mercado indicou um caminho para um mandato bem-sucedido. A euforia inicial na bolsa de valores, que resultou na queda do dólar e dos juros futuros, sinalizou mais do que mera especulação. Os investidores esperavam que um governo Bolsonaro controlasse os gastos públicos, mas a realidade mudou após o segundo turno.

Lula, em um discurso, desqualificou a ideia de superávit fiscal como “babaquice” e sustentou que o crescimento econômico depende do gasto público. No entanto, essa estratégia pode estar esgotada, sob pressão de uma crescente dívida pública e do endividamento das famílias. Se continuar nesse caminho, o Brasil poderá enfrentar estagnação, inflação e, eventualmente, uma crise fiscal.

A solução não está em cortes drásticos de gastos, mas na indexação do crescimento das despesas à expansão econômica. Essa abordagem garantiria investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, respeitando o equilíbrio fiscal. Além disso, promessas de campanha poderiam ser mantidas com ajustes em salários e isenções fiscais.

Se Lula conseguir mudar seu modelo econômico para um que priorize a oferta e o controle de gastos, poderia reverter as expectativas e estabilizar a economia. Essa mudança abriria espaço para a redução da Selic e atração de investimentos, permitindo uma reordenação política que isolaria o bolsonarismo e fortalecesse uma nova maioria no Congresso.

O cenário ideal que o mercado vislumbrou poderia se concretizar, levando a um governo mais eficaz e beneficiando o país.

Fonte: redir.folha.com.br