Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) estão atentos ao cenário das eleições presidenciais de 2026 e já discutem as possíveis repercussões para a corte a partir de 2027. Independentemente de quem vença, a expectativa é de que o tribunal continue sendo um ponto de tensão na política nacional.
Caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito, magistrados acreditam que isso poderá trazer de volta um clima de confronto entre o governo e o STF, semelhante ao observado durante a administração de seu pai, Jair Bolsonaro. Por outro lado, uma reeleição do presidente Lula (PT) pode manter uma relação mais cordial entre os Poderes, embora o STF ainda se veja no centro de novos conflitos, especialmente se a oposição no Congresso for forte.
A eleição de outubro também será decisiva para moldar o novo perfil do STF, já que três ministros se aposentam compulsoriamente nos próximos anos: Luiz Fux em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030. Além disso, a corte conta com uma vaga aberta desde a saída de Luís Roberto Barroso no ano passado, e Lula já manifestou intenção de indicar um novo nome, apesar do Senado ter rejeitado sua primeira escolha.
A possível vitória de Flávio pode significar uma mudança na composição do STF, atualmente dominada por ministros indicados por governos do PT. Os únicos ministros escolhidos durante a gestão Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, continuariam representando essa ala, caso Lula seja reeleito.
Ministros do STF expressam ceticismo em relação a Flávio, especialmente por conta de sua ligação com o bolsonarismo. Recentemente, ele se comprometeu a respeitar a corte durante a campanha, algo que seu pai não fez. Contudo, há dúvidas sobre sua capacidade de se distanciar da retórica extremada do clã.
As eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado também são vistas com preocupação. A vitória de Flávio, acompanhada de uma base forte no Congresso, poderia facilitar o avanço de pautas que buscam enfraquecer o STF, como a fixação de mandatos para ministros e a revisão de decisões da corte pelo Legislativo.
Por outro lado, auxiliares de ministros acreditam que um novo governo Lula tentaria evitar conflitos com os EUA, enquanto uma administração Flávio poderia adotar uma postura mais alinhada ao ex-presidente Donald Trump.
Independentemente do resultado, a judicialização de questões políticas é esperada. Contudo, a expectativa é de que as políticas de Flávio tenham maior potencial para desafiar a jurisprudência do STF, gerando novas tensões à medida que a corte reaja a medidas do governo que considere inconstitucionais.
Fonte: redir.folha.com.br