O conceito de escritório está passando por uma transformação significativa, com empresas reavaliando seu papel na estratégia operacional. De acordo com a pesquisa CBRE Global Workplace Survey, a relevância do espaço físico não desapareceu, mas sua eficiência está sendo questionada.

Historicamente visto como um custo fixo, o escritório agora é considerado uma variável de desempenho. Esse movimento não implica abandono, mas uma reconfiguração do espaço, que se torna um ativo dinâmico. O foco deixou de ser apenas o custo do aluguel e passou a ser o retorno que o escritório proporciona ao negócio.

Erica Prata, sócia da AKMX, explica que os custos de um escritório de alto padrão em São Paulo podem chegar a R$ 465 por metro quadrado por mês, totalizando mais de R$ 5,5 milhões anuais para um espaço de 1.000 m². Essa realidade levanta a questão: estamos tratando esse ativo como uma infraestrutura estratégica ou apenas mantendo uma tradição corporativa?

A mudança estrutural em curso transforma o escritório em um produto. Isso significa que ele deve ser gerenciado como qualquer outro item que possui uso, métricas e um ciclo de vida. Com a possibilidade de medir a ocupação em tempo real, o espaço físico se torna um sistema dinâmico, adaptável às necessidades da empresa.

Entretanto, muitas organizações ainda enxergam seus escritórios como imóveis estáticos. Essa visão é central para a discussão, pois imóveis são planejados para estabilidade, enquanto plataformas são desenvolvidas para otimização constante. Com essa nova perspectiva, o custo se torna uma variável e a experiência do colaborador é vista como um indicador de eficiência.

Além disso, pesquisas sobre trabalho híbrido indicam uma mudança nas expectativas das novas gerações. Profissionais mais jovens estão rejeitando o modelo 100% remoto, que limita interações e aprendizado. Assim, o escritório volta a ser valorizado como um espaço de conexão, não como uma imposição.

Contudo, um escritório vazio se torna um custo elevado e improdutivo. A discussão atual não é mais sobre presença ou ausência, mas sobre eficiência e desperdício. E, nesse contexto, a eficiência se torna inseparável da mensuração.

Fonte: www.tecmundo.com.br