A Polícia Federal deflagrou uma operação de busca e apreensão nesta quinta-feira (9) contra o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi. Miranda foi contratado para gerenciar uma crise envolvendo Daniel Vorcaro, do Banco Master, que incluiu ataques ao Banco Central.
As investigações revelaram diálogos entre Miranda e Vorcaro, ocorridos entre março e abril de 2025, onde ambos discutiam estratégias para desacreditar a jornalista Malu Gaspar, do O Globo. Em uma das conversas, Vorcaro sugere que deveriam “tentar pegar algo dessa mulher no pessoal”, ao que Miranda responde: “Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela”.
Durante a operação, foram apreendidos celulares e equipamentos eletrônicos de Miranda. A PF investiga a suposta coordenação de ações em redes sociais para comprometer a credibilidade do Banco Central e possíveis práticas de intimidação a jornalistas. Os fatos levantados podem configurar crimes contra o sistema financeiro nacional e organização criminosa, entre outros delitos.
Apesar de uma decisão anterior do ministro do STF, André Mendonça, que indicava a falta de elementos para aprofundar as investigações, novas evidências surgiram a partir de reportagens. Essas informações confirmaram a existência de diálogos que evidenciam a intenção de intimidação contra a jornalista.
Os dados da investigação indicam tentativas de acesso indevido a informações privadas, com o objetivo de intimidar e coagir. Miranda também é suspeito de liderar ataques organizados contra o Banco Central e o ex-diretor Renato Gomes, seguindo um plano delineado no chamado “Projeto DV”, ao qual a Folha teve acesso.
Os documentos apontam que Miranda teve um papel central na mobilização de influenciadores para atacar a reputação do BC. O investimento no projeto chegava a R$ 8 milhões, com pagamentos de R$ 3,5 milhões realizados em um curto espaço de tempo. As transferências ocorreram após Miranda receber o mesmo valor de uma empresa ligada a Vorcaro.
Além disso, a PF identificou a contratação de cerca de 40 perfis em redes sociais para disseminar informações favoráveis a Vorcaro, apresentando uma estratégia cuidadosamente elaborada para direcionar publicações. Miranda também foi acusado de tentar influenciar outros jornalistas a retirar reportagens que poderiam prejudicar seus interesses.
A operação e suas repercussões evidenciam a gravidade das ações investigadas, que envolvem não apenas a manipulação da informação, mas também a intimidação de profissionais da imprensa.
Fonte: redir.folha.com.br