O PL e partidos do centrão se prepararam para as eleições deste ano ao economizar recursos do fundo partidário e de doações privadas, conforme as prestações de contas apresentadas ao TSE. Em contraste, o PT encerrou 2025 com um déficit de R$ 725 mil e não possui reservas financeiras para auxiliar na campanha do presidente Lula.

As receitas dos partidos incluem tanto recursos públicos, como os do fundo partidário, quanto contribuições privadas de filiados e doações. O controlador da Cosan, Rubens Ometto, fez doações significativas, aportando R$ 2 milhões ao PT e R$ 1,7 milhão ao Republicanos. O PL, por sua vez, recebeu doações de cinco empresários, sendo a maior de R$ 300 mil do fundador da Pirahy Alimentos, Celso Rigo. Essas contribuições, feitas como pessoas físicas, estão dentro da legalidade.

O PL, com os recursos acumulados, pode financiar a totalidade da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro sem afetar os R$ 815 milhões que receberá do fundo eleitoral em 2026, o que lhe permitirá direcionar verbas a outras candidaturas. O teto de gastos para a campanha presidencial é de R$ 88,9 milhões no primeiro turno e R$ 44,4 milhões no segundo, totalizando R$ 133,3 milhões. Essa quantia é inferior ao total que o PL conseguiu poupar.

Em 2025, o diretório nacional do PL recebeu R$ 257 milhões e conseguiu guardar R$ 102,8 milhões. Além disso, R$ 31,4 milhões que não foram utilizados no ano anterior foram reintegrados ao caixa do partido, permitindo um uso mais flexível desse dinheiro na eleição. Essa prática se deve a uma manobra contábil que permite a reversão de recursos não gastos para outras finalidades.

O PL utiliza essa estratégia anualmente para criar um fundo eleitoral, muitas vezes deixando de lado a aplicação em educação política. Em 2025, o partido destinou R$ 41,7 milhões ao seu instituto, mas 75% desse valor retornou ao caixa em janeiro. O partido foi contatado na quarta-feira (8), mas não se manifestou.

Outros partidos, como o PC do B e o PSDB, também utilizaram essa manobra, embora em montantes menores. A maioria das siglas está economizando para fortalecer suas campanhas, em contraste com o elevado valor do fundo partidário, que supera R$ 1 bilhão anualmente.

O Republicanos, que fez a segunda maior reserva em 2025, poupou R$ 52 milhões dos R$ 110 milhões que recebeu. Essa estratégia, segundo o presidente da sigla, deputado Marcos Pereira, visa potencializar as candidaturas. A reserva aumentará os recursos disponíveis em 15% para a eleição, criando um ciclo positivo de financiamento.

O PP também adotou uma estratégia semelhante, economizando 46% do que recebeu, o que resultará em R$ 40 milhões adicionais para a campanha. O tesoureiro do PP, deputado Ricardo Barros, destacou que a estrutura enxuta do partido permite mais investimentos em campanhas.

Enquanto isso, o PT não se preparou financeiramente para a reeleição de Lula, gastando mais do que arrecadou em 2025. Com receitas totais de R$ 181,3 milhões e despesas de R$ 182 milhões, a sigla planeja usar os R$ 615 milhões do fundo eleitoral para a campanha, com expectativa de arrecadar doações para alcançar o teto de gastos.

Em nota, o PT afirmou que quase metade de suas receitas foi destinada a diretórios estaduais e à Fundação Perseu Abramo, garantindo que o financiamento da campanha está assegurado. O partido destacou sua estrutura organizada em todo o país, construída ao longo do tempo.

Essas manobras financeiras e estratégias de arrecadação reforçam o poder das lideranças partidárias, que podem alocar recursos de forma a beneficiar aliados mais leais. A distribuição dos recursos do fundo eleitoral, por sua vez, é definida pela comissão executiva do partido, com aprovação da Justiça Eleitoral.

Fonte: redir.folha.com.br