O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está no centro de uma investigação da Polícia Federal por supostamente ter indicado emendas parlamentares de comissão ao Orçamento de 2024, mesmo sem mandato. O relatório da PF atribui a Valdemar a destinação de R$ 111,8 milhões, um montante que ultrapassa o de 99,8% dos deputados no mesmo período, exceto pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira, que indicou R$ 255,3 milhões.
A pesquisa da Folha nos dados da Câmara dos Deputados mostra que Valdemar superou até o ex-líder do governo, José Guimarães, que encaminhou R$ 91,6 milhões. Mesmo sem mandato desde 2013, quando renunciou devido a uma condenação no escândalo do mensalão, Valdemar conseguiu indicar mais recursos do que 512 dos 513 deputados federais.
A PF afirma que as emendas foram “forjadamente encaminhadas e desviadas” para beneficiar o líder do PL. O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar e destacou que ele tinha autonomia para direcionar recursos, mas com uma cota pessoal atribuída à sua presidência no partido.
Em resposta, Valdemar negou qualquer ilegalidade, afirmando que não existem provas de desvios. A nota enviada por seus advogados ressalta que o papel de um presidente partidário inclui dialogar com parlamentares e articular interesses.
Os valores atribuídos a Valdemar, segundo a PF, aparecem nos registros da Câmara como emendas apadrinhadas por deputados do PL, como Luiz Carlos Motta e capitão Alden, que também defenderam a regularidade das indicações.
Além disso, as emendas de comissão, que substituíram as extintas emendas de relator, têm sido criticadas pela falta de transparência. Em 2024, a liderança do PL teve R$ 276 milhões empenhados nessa modalidade, dificultando a identificação dos reais autores das indicações.
A Secom e a SRI do governo Lula foram questionadas sobre o assunto, mas não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
Fonte: redir.folha.com.br