Flávio Bolsonaro esteve em Washington para solicitar a Donald Trump a suspensão temporária das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essas tarifas, conhecidas como tarifaço, foram implementadas durante o governo de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. A presença de Flávio na capital americana representa uma tentativa do bolsonarismo de apresentar soluções para problemas que eles mesmos ajudaram a criar, caracterizando uma estratégia típica em contextos de corrupção.
Flávio argumentou que as tarifas foram um fator que contribuiu para a queda de sua popularidade nas pesquisas, apontando que Lula ampliou sua vantagem por conta dessas novas imposições. Ele usou dados de uma pesquisa da Quaest de junho para sustentar sua afirmação. No entanto, a realidade é que a queda de Flávio nas sondagens se deve mais a investigações que o envolvem em irregularidades do que às políticas americanas.
Em seu discurso, o senador também atribuiu as tensões entre Brasil e Estados Unidos ao suposto antiamericanismo de Lula, mencionando temas controversos como desmatamento, disputas sobre etanol e regulamentação das big techs. Flávio ainda se comprometeu a punir os envolvidos em escândalos de corrupção, citando nomes influentes da política brasileira.
O discurso de Flávio em Washington revela que sua preocupação com o tarifaço está menos relacionada ao impacto econômico no Brasil e mais à ajuda que ele acredita que isso pode dar a Lula em sua reeleição. Ele se limita a pedir a suspensão das tarifas, sem um compromisso de abandoná-las definitivamente.
Esse movimento marca uma nova era na política brasileira, onde um candidato busca apoio explícito de uma potência estrangeira em sua campanha. A tática de Flávio Bolsonaro sugere que ele está disposto a negociar interesses nacionais em troca de apoio político.
Fonte: redir.folha.com.br