O veto de 90 dias que impede o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está sendo interpretado como uma oportunidade para consolidar a autoridade do senador na pré-campanha presidencial. A proibição, determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, ocorreu logo após Jair Bolsonaro afirmar em uma carta que confia em Flávio e o considera seu “porta-voz”. Para aliados do senador, essa situação pode ser vantajosa, pois permite que a última declaração do ex-presidente se destaque em um momento de isolamento.
Embora Flávio busque reverter a decisão de Moraes com apoio da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o veto às visitas foi motivado pela divulgação da carta em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o que Moraes considerou uma violação das medidas cautelares impostas a Jair. A pesquisa mais recente da Genial/Quaest revela que o presidente Lula (PT) lidera Flávio por oito pontos em um possível segundo turno, com uma rejeição ao senador que chega a 57%.
Aliados de Flávio acreditam que a proibição das visitas pode dar ao senador mais autonomia nas decisões políticas de sua campanha, que antes exigiam o aval do pai. Entre março e junho, Flávio visitou Jair Bolsonaro ao menos 26 vezes, com autorizações específicas. O isolamento do ex-presidente pode resultar em um distanciamento também da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que, embora tenha acesso a Jair, não possui a mesma liberdade de atuação política que Flávio.
Interlocutores de Flávio destacam que as principais decisões sobre alianças e estratégias já foram tomadas, minimizando o impacto da ausência de Jair nas articulações. Por outro lado, aliados de Michelle afirmam que ela já cumpriu seu papel na disputa eleitoral e não pretende se envolver mais ativamente.
Recentemente, Michelle lançou um perfil no Instagram para divulgar novidades de seu movimento, enquanto o senador declarou em um podcast que não mantém relações com a ex-primeira-dama e se disse surpreso com críticas públicas dela. Flávio expressou sua disposição para dialogar e enfatizou a importância de ter o apoio de todos.
Fonte: redir.folha.com.br