Flávio Bolsonaro (PL) repetiu, em encontro com embaixadores na terça-feira (21), uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas brasileiras, ao afirmar que elas têm relação com a empresa venezuelana Smartmatic. Essa afirmação não é nova e foi utilizada por ele em 2014, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Na época, ele já havia dito que as urnas eletrônicas eram desconfiáveis por serem desenvolvidas por uma empresa venezuelana.

A Justiça Eleitoral brasileira já desmentiu essa associação, esclarecendo que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares usados nas eleições do país. Os contratos da empresa se restringiram a serviços auxiliares, como suporte técnico e treinamento. Após a repercussão de suas declarações, Flávio afirmou que não questionava a integridade do sistema eleitoral, mas sua nota não refutou a ligação equivocada com a Smartmatic.

Desde 2014, o senador tem oscilado entre ataques e recuos sobre o sistema eleitoral. Em 2018, por exemplo, ele afirmou que o voto impresso era essencial para garantir a lisura das urnas. Durante a campanha de 2022, ele compartilhou um vídeo manipulado que alegava uma falha nas urnas, o qual foi desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Após a rejeição do voto impresso em 2021, Flávio declarou que, sem novas medidas do TSE, as eleições estariam sob suspeita. Em setembro de 2022, o então presidente do TSE anunciou testes de integridade em urnas usando biometria, o que levou Flávio a comentar que a possibilidade de fraude seria quase nula, mas manteve a defesa do voto impresso como solução definitiva.

No primeiro turno de 2022, ele voltou a questionar as urnas, mas, quando pressionado, admitiu que não havia ocorrido fraude, embora deixasse a porta aberta para dúvidas. Em 2023, tornou-se coautor de uma proposta de emenda constitucional que prevê cédulas físicas que possam ser conferidas.

Recentemente, em uma conferência no Texas, Flávio pediu monitoramento do processo eleitoral brasileiro, afirmando que venceria se os votos fossem corretamente contados. Essa postura gerou críticas entre líderes políticos, que enxergam um erro estratégico nas suas declarações. Ministros do STF consideram que Flávio, inspirado por discursos de extremismo, agravou a situação ao propagar informações incorretas sobre as urnas.

Por sua vez, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, avalia que as declarações de Flávio são menos graves do que as feitas por seu pai, Jair Bolsonaro, nas campanhas de 2022. A Folha de S.Paulo já destacou que o sistema de votação brasileiro conta com várias camadas de segurança e não há registros de fraudes confirmadas.

Fonte: redir.folha.com.br