O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou suas críticas a Luiz Inácio Lula da Silva em seu perfil no X, após chamá-lo de ladrão e “lixo socialista” durante o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro em São Paulo. As postagens de Milei surgem em meio a tensões diplomáticas entre os dois países, especialmente após a acusação de que Lula estaria financiando a campanha de Sergio Massa, seu adversário nas eleições de 2023, sem apresentar provas.

Milei, que se autodenomina ultraliberal, afirmou que Lula teve um papel ativo na campanha contra ele e, em 2024, o rotulou de nacionalista arcaico e incluiu seu nome em uma lista de líderes fascistas. Dario Epstein, analista financeiro próximo a Milei, comentou sobre a indignação dos “progressistas argentinos” em relação às declarações do presidente argentino.

As críticas de Milei a Lula não são novas; ao longo de 2023, ele frequentemente se referiu ao ex-presidente como comunista e corrupto, o que gerou um distanciamento entre ambos. Em junho de 2024, Lula sugeriu que Milei pedisse desculpas, mas o argentino respondeu que havia questões mais importantes do que o “ego inflado de algum esquerdista”.

A newsletter “Cercanías”, editada por Sylvia Colombo, também repercutiu as declarações de Milei, destacando a hipocrisia da esquerda em relação às críticas que ele faz a Lula. Um episódio lembrado foi a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpria prisão domiciliar, enquanto Milei não pôde visitar Jair Bolsonaro, também em situação similar, devido a restrições impostas pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.

O clima tenso se intensificou com comentários de Milei sobre a prisão de uma cidadã argentina, que ocorreu no Brasil, e a falsa alegação de que Lula teria apoiado a campanha de Massa com recursos e uma equipe de fake news. Essa crise nas relações diplomáticas levou o Itamaraty a convocar os embaixadores da Argentina e do Brasil para esclarecimentos.

Após as declarações de Milei, o ministro da Fazenda argentino, Dario Durigan, desqualificou as críticas à economia do Brasil, chamando o presidente de “palhaço”. As autoridades argentinas não se manifestaram especificamente sobre os comentários de Durigan, e a Casa Rosada não comentou a situação quando questionada.

Nesta segunda-feira, Diego Santilli, chefe de gabinete argentino, tentou minimizar as reações às críticas de Milei, afirmando que os políticos brasileiros estavam se comportando de forma exagerada e que as relações econômicas entre os dois países continuariam a se desenvolver.