O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou o governo Lula por bloquear três operações de crédito essenciais, totalizando R$ 3,5 bilhões, destinadas à eletrificação da frota de ônibus e à ampliação da rede de saúde municipal. Nunes, aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), fez as acusações em ofícios enviados ao Senado e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Os empréstimos já foram aprovados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pelo Banco Mundial, mas dependem da autorização da União. A prefeitura tem um prazo até 24 de agosto para garantir o apoio do governo federal; caso contrário, terá que reiniciar o processo, o que resultaria em atrasos significativos nos investimentos.
Nos documentos enviados em 22 de julho, Nunes informou que já obteve a anuência da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A etapa seguinte envolveu o Ministério da Fazenda, que encaminhou os pedidos ao presidente Lula para que fossem enviados ao Senado. Entretanto, os processos estão paralisados na Casa Civil desde abril, aguardando apenas a remessa das mensagens do Executivo, crucial para a concessão da garantia.
A legislação determina um prazo de 30 dias úteis para a tramitação desses pedidos, mas a gestão municipal ressalta que já se passaram mais de 60 dias. Em seu ofício ao TCU, Nunes afirmou que a inércia da Casa Civil prejudica a confiança institucional que a cidade depositou no governo federal. Ele alertou que essa situação pode comprometer a substituição da frota de ônibus poluentes por veículos ecológicos e causar danos irreparáveis às finanças municipais.
As declarações de Nunes fazem parte de uma escalada de críticas ao governo federal, especialmente ao Ministério da Fazenda. Recentemente, durante uma convenção de Tarcísio, ele se referiu ao ex-ministro Fernando Haddad de forma desdenhosa, chamando-o de “professorzinho de nariz empinado e incompetente”.
Por sua vez, a Casa Civil alegou que todos os pedidos da prefeitura estão seguindo os trâmites administrativos e técnicos necessários, e que os processos serão encaminhados para as próximas etapas conforme os procedimentos legais.
Fonte: redir.folha.com.br