O recente retrato da fibromialgia pela personagem Elisa, interpretada por Isabela Garcia na novela “Quem Ama Cuida”, trouxe à tona um debate crucial sobre essa condição que afeta milhões de brasileiros e ainda é envolta em mitos e preconceitos. Embora muitos associem a doença apenas a dores musculares, especialistas alertam que a fibromialgia envolve alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central.
O neurologista Dr. Matheus Trilico destaca que entender esses mecanismos é vital para garantir que os pacientes recebam o tratamento adequado e possam recuperar sua qualidade de vida. “A fibromialgia não é uma doença neurológica degenerativa, mas está intimamente ligada ao funcionamento do sistema nervoso central. O cérebro interpreta estímulos que normalmente não seriam dolorosos de forma muito mais intensa, como se estivesse sempre em alerta”, explica.
Os sintomas da fibromialgia vão além da dor generalizada. Fadiga intensa, sono não reparador, dificuldades de concentração, alterações de memória, além de ansiedade e sintomas depressivos, ampliam o impacto da doença na vida dos afetados. Dr. Matheus enfatiza que o neurologista desempenha um papel crucial na identificação e no acompanhamento dos pacientes. “Nosso primeiro passo é descartar outras condições neurológicas que possam ter sintomas semelhantes. Após isso, oferecemos um tratamento individualizado que visa diminuir a sensibilização do sistema nervoso e melhorar a funcionalidade do paciente”, afirma.
O tratamento da fibromialgia é frequentemente multidisciplinar, englobando medicamentos específicos, atividades físicas supervisionadas, fisioterapia, apoio psicológico e estratégias para melhorar a qualidade do sono e controlar o estresse. “O cérebro tem uma grande capacidade de adaptação. Ao combinar diferentes abordagens terapêuticas, conseguimos reduzir a dor, melhorar o sono e permitir que o paciente retome atividades que antes eram limitadas”, ressalta Dr. Matheus.
Além disso, ele sugere alguns hábitos que podem ajudar no controle da fibromialgia: praticar atividades físicas regularmente, manter uma rotina de sono, gerenciar o estresse e a ansiedade com técnicas de relaxamento, evitar o sedentarismo e seguir corretamente o tratamento prescrito, sem automedicação. “A dor da fibromialgia é real. Não é um exagero ou fraqueza. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado e o tratamento multidisciplinar iniciado, maiores serão as chances de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, conclui o neurologista.