André do Prado, recém-eleito senador com o apoio do governador Tarcísio de Freitas, está provocando uma divisão interna no PL ao articular a escolha de dois aliados para sua sucessão na presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O movimento surge enquanto o PL, que já contava com a maior bancada, ampliou seu número de deputados de 21 para 27 nas eleições recentes. A nova Mesa Diretora será eleita em fevereiro, após a posse dos novos parlamentares.
Prado defende Rogério Franco, ex-prefeito de Cotia, e Rodrigo Ashiuchi, ex-prefeito de Suzano, como candidatos para sucedê-lo. Ambos estão em seu primeiro mandato e, segundo fontes, a articulação de Prado gerou descontentamento entre os deputados do PL, que preferem um parlamentar reeleito para o cargo. Em uma reunião nesta terça-feira (3), a maioria dos 15 deputados presentes expressou a intenção de criar uma lista de assinaturas em apoio a um nome mais experiente.
Os deputados Marcos Damasio, Ricardo Madalena, Tenente Coimbra, Alex de Madureira e Thiago Auricchio estão entre os favoritos para a presidência, com a deputada Dani Alonso, que tem o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, também sendo mencionada. Os parlamentares enfatizaram a necessidade de que o novo presidente se comprometa a acabar com a reeleição na Casa, um tema sensível, já que Prado conseguiu aprovar a mudança que permitiu sua própria reeleição.
A movimentação de Prado, que incluiu esforços para eleger Franco e Ashiuchi, é vista como uma estratégia para manter sua influência na Alesp. Alex de Madureira, líder do PL, declarou que seguirá as orientações do partido. A expectativa é que um nome seja definido até o final de novembro ou meados de dezembro.
O governador Tarcísio de Freitas, que já atuou para apoiar Prado em sua corrida ao Senado, não pretende interferir na escolha do novo presidente, exceto se surgir um candidato que possa ameaçar os interesses do governo. Entre os possíveis candidatos do Republicanos estão Gilmaci Santos, líder do governo na Alesp, e Danilo Campetti, que possui boas relações com a família Bolsonaro.
A eleição para a presidência da Alesp ocorre com cada deputado exercendo um voto, mas um acordo de proporcionalidade tem sido seguido, garantindo ao PL a presidência devido ao seu número de cadeiras. O PT, como a segunda maior bancada, ocupa a primeira secretaria, considerada o segundo cargo mais importante na Mesa Diretora. O deputado Paulo Fiorilo (PT) comentou que seu partido se reunirá na próxima terça-feira (10) para discutir a sucessão, enfatizando a necessidade de um presidente experiente.
Fonte: redir.folha.com.br