Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras, a administração de Donald Trump iniciou contatos com aliados de Flávio Bolsonaro (PL) para avaliar a posição do senador em relação ao resultado. De acordo com informações da Folha, o governo americano decidiu adiar o reconhecimento oficial da eleição até que Flávio se manifestasse sobre a derrota.

Até o início da tarde de segunda-feira (26), o governo Trump ainda não havia se pronunciado sobre a vitória de Lula. Esse silêncio ocorre em um momento delicado, com uma nova rodada de negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos se aproximando. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está programado para viajar aos EUA esta semana para participar da reunião de chanceleres do G20 em Atlanta, marcada para os dias 30 e 31.

Durante essa visita, Vieira deverá se encontrar com o secretário de Estado, Marco Rubio, em meio à incerteza sobre a postura da Casa Branca frente à reeleição de Lula. Antes da finalização da apuração no domingo (25), um assessor de Trump indicou que o presidente americano estava inclinado a reconhecer a vitória se Flávio fosse o vencedor. No entanto, essa possibilidade não foi discutida em caso de triunfo de Lula.

Aliados de Flávio sugerem que a hipótese de contestação do resultado ainda está em análise. Além disso, figuras próximas a Trump começaram a levantar questões sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro. Donald Trump Jr. criticou a falta de cobertura da imprensa americana sobre a ampliação do horário de votação no Brasil. O advogado Martin De Luca também se manifestou nas redes sociais, fazendo críticas ao sistema eleitoral brasileiro.

Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, recomendou que Trump e Rubio se pronunciassem sobre as eleições e considerassem romper relações diplomáticas com o Brasil. Embora Trump não tenha declarado apoio explícito a Flávio, ele elogiou seu desempenho no primeiro turno, classificando-o como uma “grande vitória”.

No dia da eleição, Trump evitou comentar sobre sua preferência entre os candidatos, limitando-se a afirmar que estava acompanhando a disputa. “Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando”, disse ele a jornalistas.