Na atual corrida eleitoral, apenas o PT mantém uma estratégia de coligações, unindo forças com seis partidos: PSB, PSOL-Rede, PDT, PV e PC do B. Essa configuração destaca a ironia de um partido que, por sua natureza, se posiciona como protagonista, precisar se aliar por questões impostas pela realidade política. Embora a aliança ocorra no espectro da esquerda, ela conta com a presença de Geraldo Alckmin, do PSB, como uma figura representativa do centro.

A força da candidatura do PT, no entanto, repousa essencialmente em Lula, e não em seus aliados. Se outro candidato estivesse à frente, a aliança poderia nem ter sido formada. As mudanças nas regras eleitorais e no equilíbrio entre os poderes Executivo e Legislativo alteraram significativamente o cenário político. As coligações proporcionais foram abolidas, os partidos agora têm maior autonomia financeira e enfrentam barreiras de desempenho, além de um panorama nacional dominado por eleitores fiéis aos candidatos favoritos.

Essa é a primeira eleição desde a retomada da democracia com uma escassez de alianças significativas na disputa pela Presidência. Embora haja preocupações em torno dessa nova dinâmica, não está claro quais riscos isso pode acarretar. As coligações anteriores realmente impactaram a atuação dos dois poderes? A análise parece ter mudado, visto que a fidelidade partidária e a identificação ideológica, antes pilares, agora são questionadas.

O que se observa é uma transição da teoria para uma prática mais direta, sem as máscaras das convenções anteriores. A alegada neutralidade não se sustenta, pois as alianças fervilham nos estados, onde os partidos buscam eleger um grande número de representantes. O desafio para o eleitor é manter um olhar crítico e atento, priorizando a qualidade dos candidatos escolhidos.

Fonte: redir.folha.com.br