A última semana foi marcada por intensos debates nas redes sociais, envolvendo as campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial. Entre os dias 23 e 30 de setembro, os temas mais comentados foram a proibição das apostas esportivas, uma fake news relacionada a Nossa Senhora Aparecida, o vazamento de mensagens do ex-sócio de Flávio e uma declaração de Lula sobre exames ginecológicos que foi retirada de contexto.

De acordo com a Palver, empresa especializada em monitoramento de narrativas nas redes, a Medida Provisória que proíbe as apostas gerou um engajamento superior a qualquer outro tema discutido. No sábado (26), houve um pico de 4.000 menções a cada 100 mil postagens nas redes sociais, refletindo a forte reação de clubes de futebol e associações do setor após a assinatura da MP. Apesar da queda no domingo (27), o volume de menções continuou três a quatro vezes maior do que antes do anúncio.

Em relação à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, o pico de menções ocorreu na terça-feira (29), com 3.000 menções a cada 100 mil postagens nas redes sociais, impulsionado por decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O debate sobre o vazamento de mensagens de Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio, e a declaração de Lula sobre “toque” em mulheres ainda têm menor repercussão, com picos de 587 e 336 menções, respectivamente.

Luis Fakhouri, cofundador da Palver, destaca que a discussão sobre a proibição das apostas ainda é predominante nas redes, enquanto o tema de Nossa Senhora Aparecida continua a crescer com novas decisões judiciais. A fala de Lula, feita em um comício em Belém (PA), gerou críticas, especialmente da direita, que associou a declaração a acusações de pedofilia. O TSE já foi acionado para remover postagens que disseminam essa desinformação.

Analisando o cenário, a Palver observa que o engajamento em torno do material vazado de Santini tem sido majoritariamente impulsionado pela esquerda, enquanto a direita tem se mostrado relutante em defender Flávio. A ausência da direita nas discussões resultou em uma opinião digital criticamente negativa em relação ao senador, com 95% das menções nas redes sociais sendo desfavoráveis.

Em contrapartida, a fala de Lula sobre exames de toque também gerou reações negativas, com 78% das menções nas redes criticando o presidente. A mobilização em torno da proibição das apostas é, em grande parte, desfavorável ao governo, refletindo um descontentamento com a forma como a medida foi anunciada, especialmente em um período pré-eleitoral.

No caso da fake news sobre Flávio Bolsonaro e a suposta intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, a crítica também predomina, com 63% das menções contra o candidato. O debate trouxe consequências para as campanhas, com Lula e o PT se beneficiando, enquanto Flávio e a GloboNews enfrentam um aumento nas críticas devido às suas associações com a desinformação.

A movimentação nas redes sociais e aplicativos de mensagem revela um ambiente político acirrado, onde a estratégia de comunicação desempenha um papel crucial na formação da opinião pública.