O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou fortemente a convenção do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo, onde o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve sua pré-candidatura oficializada. Em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (29), Caiado destacou que Flávio “perdeu para um argentino e para um avatar”, referindo-se à presença do presidente argentino Javier Milei e ao uso de um vídeo gerado por inteligência artificial com a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Caiado lamentou que a convenção tenha se desviado de discussões relevantes e tenha se tornado um espaço de agressões, mencionando conflitos com os Estados Unidos e a Argentina. Ele fez essas declarações após se reunir com representantes da Abert e da ANJ em Brasília. Durante o evento do PL, Milei fez um discurso polêmico, atacando o ministro do STF Alexandre de Moraes e expressando apoio a Flávio, afirmando que ele poderia “parar” o presidente Lula (PT).

Lula, por sua vez, respondeu com ironia às declarações de Milei. “Quem é esse cara?”, questionou o petista, que busca seu quarto mandato nas eleições de outubro. O governo brasileiro está reavaliando a relação com a Argentina após os incidentes envolvendo Milei, e o embaixador brasileiro foi chamado de volta ao país.

Caiado, que apresenta 4% de intenção de votos nas pesquisas, intensificou suas críticas a Flávio, que se posiciona como um dos principais opositores de Lula. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também se manifestou sobre a convenção, chamando-a de “pobre” e lamentando a falta de debate construtivo entre os países. Ele ressaltou que a utilização do vídeo de IA de Jair Bolsonaro não contribui para o debate eleitoral e que a população quer ouvir as propostas de Flávio, não uma mensagem de seu pai.

Além disso, o ministro Alexandre de Moraes solicitou que a defesa de Jair Bolsonaro explique em até 48 horas o uso do vídeo de IA, considerando que, caso tenha havido concordância do ex-presidente, isso poderia ter implicações sérias em sua situação jurídica. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também está analisando a regularidade dessa conduta.