O debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), foi repleto de trocas de acusações e informações imprecisas. Ambos os candidatos à presidência discutiram temas como economia e corrupção, mas apresentaram declarações que não corresponderam aos fatos.

Flávio Bolsonaro cometeu um erro ao afirmar que as viagens de Lula e da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, custaram R$ 7 bilhões. Na verdade, esse valor se refere ao total gasto por diversos órgãos do governo em viagens desde 2023, que somam R$ 8,46 bilhões, sendo R$ 30,8 milhões relacionados à Presidência.

Lula, por sua vez, também errou ao afirmar que o PIB brasileiro só cresceu acima de 3% durante seu governo, desde o fim de seu segundo mandato em 2010. O PIB cresceu 4% no primeiro ano do governo Dilma Rousseff e 5% durante a gestão de Jair Bolsonaro em 2021. No entanto, Lula acertou ao dizer que a economia teve uma alta de 7,5% ao final de seu primeiro mandato.

O presidente também mencionou que a inflação dos alimentos foi menor em seu governo em comparação ao de Bolsonaro, embora tenha sido impreciso nos dados. Segundo Lula, a inflação dos alimentos em seu governo foi de 13%, enquanto a de Bolsonaro foi de 56,17%, quando o correto seria 54,2%. Além disso, ele disse que o salário mínimo conseguia comprar 2,2 cestas básicas em sua gestão, mas, na verdade, a média atual é de 1,8 cesta.

Lula ainda citou a quantia de R$ 134 milhões que Flávio Bolsonaro teria “pego” de Daniel Vorcaro, do Banco Master, sem explicar o destino. Embora Flávio tenha solicitado o repasse, a quantia total não foi repassada, com pelo menos R$ 62 milhões enviados antes da prisão de Vorcaro. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi desviada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Flávio também errou ao afirmar que Roberta Luchsinger admitiu ser sócia de Lulinha, filho de Lula. Durante uma entrevista, Roberta negou essa associação, embora tenha confirmado encontros entre Lulinha e ministros do governo. Além disso, o senador fez uma afirmação imprecisa ao vincular um esquema de descontos no INSS apenas ao governo Lula, sendo que essa investigação remonta a 2019, durante a gestão de Bolsonaro.

Em resposta a uma afirmação de Lula sobre receber o voto de Bolsonaro, Flávio lembrou que seu pai, condenado, não pode votar. Isso é correto, pois a perda do direito ao voto ocorre quando a condenação é definitiva.

Flávio ainda alegou que o governo Lula não enviou representantes para uma audiência pública sobre tarifas, mas essa afirmação carece de contexto, já que o governo justificou a ausência por se tratar de um evento focado em atores privados.

Por fim, Lula mencionou que 716 mil pessoas morreram devido à Covid-19 e que cerca de metade dessas mortes poderia ter sido evitada, um dado que precisa ser contextualizado. O presidente também apresentou informações corretas sobre a expansão do programa Mais Médicos, que, segundo ele, contou com 27 mil profissionais em sua gestão, número que se aproxima dos dados oficiais.

Fonte: redir.folha.com.br