Um novo recurso, conhecido como “tool calling”, está transformando a maneira como as inteligências artificiais (IAs) operam, permitindo que elas solicitem assistência de programas externos. Em vez de depender apenas do conhecimento adquirido durante o treinamento, as IAs podem acessar ferramentas como buscadores, calculadoras e agendas. Por exemplo, ao pedir para reservar um voo e notificar alguém por e-mail, a IA pode realizar a tarefa completa, desde que as ferramentas necessárias estejam conectadas.

Este mecanismo divide funções entre o modelo de IA e um sistema que executa as ações solicitadas. O modelo gera uma solicitação estruturada, enquanto a execução é feita pelo sistema que o conecta à ferramenta. Essa abordagem não só amplia as capacidades das IAs, mas também levanta questões sobre segurança, precisão e controle.

O funcionamento do tool calling é simples e passa por cinco etapas: reconhecimento da necessidade de um dado ou ação, seleção da ferramenta adequada, montagem de um pedido estruturado, execução do pedido pelo sistema e, por fim, a resposta ao usuário. A escolha da ferramenta é baseada em descrições que o sistema fornece, que indicam o que cada ferramenta pode fazer.

Embora os termos “tool calling” e “function calling” sejam frequentemente usados como sinônimos, o primeiro é mais abrangente, englobando diversas ferramentas além de funções de código. O Model Context Protocol (MCP), um padrão aberto, facilita a conexão entre IAs e ferramentas externas, padronizando esse processo.

O uso de tool calling se estende a várias áreas, incluindo consulta de informações em tempo real, automação de tarefas e execução de cálculos. No entanto, essa tecnologia também traz riscos, como a possibilidade de injeção de comandos indesejados e ações irreversíveis, como enviar um e-mail ou realizar um pagamento. A crescente autonomia das IAs exige um debate sobre a supervisão humana em suas decisões.

À medida que a padronização do MCP avança, surgem desafios sobre governança e responsabilidade nas interações entre IAs e ferramentas externas. A indústria ainda precisa definir até que ponto as IAs devem operar sem intervenção humana, especialmente em situações onde erros podem ter consequências significativas.