Metade dos eleitores brasileiros acredita que a recente sobretaxa imposta pelo governo de Donald Trump tem o objetivo de beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. De acordo com uma pesquisa do Datafolha, 52% dos entrevistados veem essa relação, enquanto 37% a rejeitam e 11% não têm certeza.
Entre os apoiadores de Flávio, apenas 29% acreditam que a medida é uma tentativa de favorecimento por parte dos EUA. Em contrapartida, 73% dos eleitores de Lula (PT) compartilham dessa percepção. A pesquisa, realizada nos dias 22 e 23 de outubro com 2.004 pessoas maiores de 16 anos, revela que 63% dos entrevistados estão cientes do tarifaço, com 25% se considerando bem informados.
Os dados mostram Lula na frente em um possível primeiro turno, com 40% contra 32% de Flávio. No segundo turno, a vantagem aumenta para 48% a 43%. A situação reflete a influência do relacionamento da família Bolsonaro com o governo americano, que incluiu declarações de Jair Bolsonaro a respeito de Trump.
A primeira versão da sobretaxa foi elaborada por Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, agora refugiado nos Estados Unidos. Trump justificou a medida com a iminente prisão de Bolsonaro, impondo uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a membros do governo e do STF. Lula aproveitou a oportunidade para fortalecer sua imagem nacionalista, enquanto as sanções foram, em parte, revogadas.
Recentemente, os EUA estipularam uma nova sobretaxa de 25%, alegando práticas comerciais desleais, e uma adicional de 12,5% devido a apurações de abusos trabalhistas. Flávio, tentando se distanciar do tarifaço, teme as repercussões políticas que Lula pode explorar. Ele até participou de uma audiência sobre o assunto nos EUA, mas sua argumentação foi considerada contraproducente.
A pesquisa também revela que 34% dos entrevistados acreditam que Lula está correto ao culpar Trump, enquanto 26% apoiam a versão de Flávio, que responsabiliza o governo brasileiro. Além disso, 74% dos eleitores não desejam retaliações contra os EUA, preferindo uma negociação. Apenas 2% acham que o Brasil deve aceitar passivamente a sobretaxa.
No que tange à atuação de Lula na negociação, 51% dos entrevistados consideram que ele poderia ter feito mais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026.