O ex-procurador Deltan Dallagnol, atualmente candidato a senador pelo Novo no Paraná, gerou polêmica ao incluir em seu registro de candidatura documentos que revelam informações fiscais e bancárias do ministro do STF, Cristiano Zanin. Essa movimentação ocorreu no sistema do TSE e inclui cópias de processos em que Dallagnol foi investigado pelo CNMP.
Os documentos em questão contêm dados protegidos por sigilo fiscal, referentes a Zanin e sua esposa, Valeska. As informações foram inicialmente divulgadas pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmadas pelo UOL. Em 2019, Zanin teve seus sigilos quebrados durante a Operação Lava Jato, quando atuava como advogado da Fecomércio-RJ, que enfrentava acusações de desvio de recursos públicos. Contudo, essa decisão foi anulada pelo STF, assim como os documentos obtidos.
Deltan justificou a inclusão dos dados como parte de sua defesa contra pedidos de impugnação de sua candidatura, destacando que entre os processos está uma reclamação disciplinar feita por Zanin contra ele e outros procuradores. O ex-procurador afirmou que apresentou os documentos de forma completa para não omitir informações e exercer seu direito político.
Em resposta, Zanin solicitou à Justiça Eleitoral que tomasse as devidas providências para responsabilizar os envolvidos, incluindo ações de natureza criminal. O presidente do TRE-PR, por sua vez, determinou que os documentos fossem mantidos sob sigilo e deu um prazo de 24 horas para que Dallagnol se explicasse.
Atualmente, o conteúdo mencionado já não está acessível publicamente nos sistemas do tribunal. O TRE-PR informou que o caso foi encaminhado ao Ministério Público para as medidas cabíveis, ressaltando que a responsabilidade pelo sigilo dos documentos é dos advogados que os protocolam.
Deltan Dallagnol foi eleito deputado federal pelo Podemos em 2022, mas teve seu registro cassado pelo TSE em 2023, que considerou que ele deixou o cargo de procurador enquanto respondia a procedimentos disciplinares. A impugnação de sua candidatura foi solicitada por partidos como o PT, que alegam sua inelegibilidade por um período de oito anos. O ex-procurador coordenou a Operação Lava Jato no Paraná até 2020, enquanto Zanin defendia o presidente Lula, um dos principais alvos da investigação.
Fonte: redir.folha.com.br