Em meio à tranquilidade do bairro de Patamares, em Salvador, Lucas Cintra, 35 anos, se destaca como um empreendedor multifacetado. Ele é sócio de um escritório de advocacia, mas sua paixão pelo mercado imobiliário o levou a abrir uma consultoria nessa área, continuando uma tradição familiar que remonta a seus avós, comerciantes que vieram de Amargosa. Lucas, que é solteiro e torcedor do Bahia, tem suas influências profissionais centradas em seu tio, um self-made man no setor imobiliário.
Politicamente, Lucas tem uma trajetória marcada por mudanças. Ele apoiou Ciro Gomes em 2018 e 2022, embora tenha anulado seu voto no segundo turno em ambas as eleições. Agora, sua escolha recai sobre Augusto Cury, psicólogo e escritor, na corrida presidencial. Para ele, Cury representa um exemplo de sucesso no setor privado e aborda temas cruciais como saúde pública e mental, apesar de reconhecer a simplicidade de sua literatura.
A relação de Lucas com a política começou na juventude, quando se filiou ao PSB e se envolveu na mobilização estudantil. Contudo, a experiência o deixou desiludido, ao perceber que as discussões eram mais eleitorais do que voltadas para a cidadania. Nos anos seguintes, ele se alinhou a Ciro Gomes, mas sem vínculos formais com o PDT, rejeitando as polarizações entre Lula e Bolsonaro.
Recentemente, Lucas se envolveu na Associação dos Moradores do Itaigara, onde ajudou a organizar pautas e a diretoria. A associação, que surgiu de um esforço comunitário para revitalizar um terreno abandonado, se tornou um canal direto de diálogo com o poder público, algo que ele considera fundamental para a verdadeira política.
Agora, ao avaliar o cenário eleitoral, Lucas acredita que Cury enfrenta desafios para romper a polarização existente. Ele ainda não decidiu seu voto no segundo turno, mas, diferentemente das últimas eleições, não pretende anular seu voto. Ele critica a longa permanência de Lula na política e rejeita a ideia de sucessão baseada em laços familiares, como no caso dos Bolsonaro. Para Lucas, a política deve ser mais do que um trampolim para interesses pessoais.
Fonte: redir.folha.com.br