A recente publicação da McKinsey, intitulada “State of AI 2026”, trouxe à tona um debate polarizado sobre o impacto da inteligência artificial (IA) nas empresas. Enquanto alguns veem um sinal de recuperação, outros destacam que 94% das organizações ainda não conseguem transformar seus resultados por meio da tecnologia.

O estudo envolveu 1.719 executivos e revelou que, embora 37% das empresas reconheçam influência da IA no EBIT, a situação não mudou muito em relação ao ano passado. O investimento em IA disparou, mas os resultados não acompanharam essa ascensão. Apenas 6% das empresas se classificam como de alto desempenho, com pelo menos 5% do EBIT proveniente da IA. Essa disparidade gerou interpretações contrastantes no mercado: um otimismo cauteloso e uma visão mais crítica.

Paradoxalmente, enquanto muitas empresas estão cortando pessoal, a IA se destaca como uma das principais razões para essas demissões. De acordo com a Challenger, Gray & Christmas, 477.033 cortes de empregos foram anunciados nos EUA entre janeiro e julho, com a IA liderando as justificativas nos últimos cinco meses. Além disso, a Gartner previu que até 2027, metade das empresas que demitiram devido à IA pode recontratar funcionários para funções semelhantes, mas com novos títulos.

Um estudo da METR, realizado em 2025, analisou o desempenho de 16 desenvolvedores em tarefas reais, demonstrando que, apesar das previsões de aumento de produtividade, o tempo real de conclusão foi mais lento. Essa discrepância sugere que muitos podem superestimar a eficácia da IA, levando a decisões questionáveis.

No Brasil, a situação é ainda mais complexa. A pesquisa TIC Empresas revelou que o uso de IA nas organizações brasileiras cresceu de 13% para 17% entre 2024 e 2025, mas a maioria das grandes empresas prefere adquirir software pronto em vez de desenvolver internamente. A IDC estima que o Brasil deve gastar US$ 4,2 bilhões em IA até 2026.

Além disso, questões legais estão emergindo. Um tribunal na Alemanha responsabilizou uma clínica por informações incorretas veiculadas por um chatbot, ressaltando que a responsabilidade não pode ser transferida para a IA. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor também estabelece que informações veiculadas por serviços devem ser precisas, implicando responsabilidade direta das empresas.

Por fim, a expectativa é que até o final de 2027, uma grande empresa brasileira recontrate sua equipe demitida, apresentando isso como um novo modelo de atendimento. Além disso, é provável que surjam disputas legais relacionadas a informações fornecidas por sistemas automatizados, reforçando a necessidade de uma abordagem mais cuidadosa em relação à implementação da IA.

Fonte: www.tecmundo.com.br