A esquerda brasileira enfrenta desafios significativos na comunicação digital, segundo o historiador e candidato a deputado federal pelo PSOL, Jones Manoel. Em entrevista ao podcast “A Máquina”, da Folha, ele afirma que, apesar de possuir um dos canais de YouTube de esquerda mais populares, a esquerda ainda se sente desconectada da juventude, sendo frequentemente considerada “cringe”.
Manoel aponta que o problema vai além da falta de presença digital. Ele critica a mensagem da esquerda, que se concentra em reflexões do passado e oferece poucas opções de futuro. “A maioria dos progressistas afirma que estamos no menor desemprego da história, mas isso ignora a realidade de quem trabalha longas horas como entregador”, observa.
O historiador explica que a direita e a extrema direita foram mais ágeis em se adaptar às redes sociais. Ele lembra que enquanto a esquerda tardou a entrar no espaço digital, as plataformas favorecem conteúdos de extrema direita, conforme indicado por estudos e reportagens. Assim, a direita consegue engajar mais, utilizando uma comunicação que, segundo Manoel, muitas vezes se mostra mais eficaz e provocativa.
Ele também destaca a estrutura hierárquica dos partidos de esquerda, que pode limitar o ativismo digital. A internet, com seu potencial descentralizador, oferece oportunidades para que indivíduos sem respaldo político tradicional ganhem destaque, como seu próprio exemplo ao criar um canal no YouTube e se tornar uma voz relevante no debate político.
Sobre a estratégia de comunicação da esquerda, Manoel aponta a urgência em abordar questões econômicas urgentes, como o endividamento da população. Ele critica a incapacidade de dialogar com a juventude, que se sente cada vez mais desiludida com as promessas não cumpridas de estabilidade financeira.
Ele elogia figuras de destaque na comunicação digital de esquerda, como Érika Hilton e Sâmia Bomfim, mas aponta que a direita possui comunicadores que geram grande impacto, como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, que conseguem direcionar a narrativa política de maneira astuta.
Por fim, Manoel reflete sobre a necessidade de a esquerda se reinventar e apresentar propostas que ressoem com a realidade atual, especialmente para os jovens que enfrentam dificuldades econômicas. Ele também expressa seu desejo de que, em 2030, surja um candidato à presidência que represente uma visão marxista robusta.
Fonte: redir.folha.com.br