O bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações em Brasília, onde Flávio Bolsonaro se batizou, fez uma declaração clara em suas redes sociais nesta quarta-feira (28), distanciando-se do discurso golpista adotado pelo senador após sua derrota nas eleições para Lula. “As eleições terminaram. Não há terceiro turno. A vida continua!”, afirmou ele em uma imagem postada no Instagram.

Na legenda, Carvalho acrescentou: “Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras, e Ele terá misericórdia do Brasil”. Essa manifestação veio três dias após a vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno, quando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro questionou o resultado e planejou pedir a anulação do pleito.

Após mudar de estratégia, Flávio anunciou que recorrerá à Justiça Eleitoral por abuso de poder, enquanto o PL, seu partido, já reconheceu oficialmente o resultado das eleições. Na mesma quarta-feira, Flávio viajou para Miami com sua família, surpreendendo aliados. De lá, publicou uma carta em que se autodeclara “verdadeiro presidente do Brasil”, mas depois alterou o título para “líder do Brasil”. Ele também corrigiu o brasão que acompanhava o documento, substituindo o símbolo que trazia “Brazil” por “República Federativa do Brasil”.

Antes de sua partida, o bispo Carvalho já havia compartilhado uma imagem com a mensagem “vida que segue”, representando um mapa do Brasil apoiado em uma mão, simbolizando a figura de Deus. Ele destacou que “a nação continua nas SUAS mãos” e afirmou que Jesus permanece no trono, prevendo um “avivamento” para o Brasil.

A reação à derrota de Flávio revela divisões entre líderes evangélicos que o apoiaram. Enquanto Silas Malafaia fala sobre perseguição política, Robson Rodovalho sugere que até Jesus ensinou a se proteger de perseguições. Por outro lado, Cláudio Duarte defendeu que é hora de aceitar o resultado da eleição. Malafaia, que considerou a fuga de Flávio “corretíssima”, criticou duramente os filhos de Jair Bolsonaro em mensagens privadas, chamando-os de “jumentos” e “amadores babacas”. Questionado sobre suas declarações, ele preferiu não comentar.

Fonte: redir.folha.com.br