Em 2016, o Brasil anunciou a missão Garatéa-L, a primeira iniciativa nacional com destino à Lua. Uma década depois, o projeto ainda enfrenta desafios, mas está progressivamente se consolidando. Lucas Fonseca, empreendedor espacial e consultor do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Sideral, destacou o crescimento do interesse público pela exploração lunar, especialmente após o início das missões Artemis. “Estou no melhor momento em relação às possibilidades de voltar à Lua”, afirmou ele em entrevista ao TecMundo.
O especialista destacou que o custo da missão Garatéa-L está estimado em US$ 10 milhões (cerca de R$ 51 milhões), e que sua conclusão poderia ocorrer em até cinco anos. O projeto conta com a colaboração de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Garatéa, além de parcerias com empresas privadas. Fonseca ressaltou que o foco não é o lucro, mas sim a participação do Brasil na economia lunar.
Pablo Moncada-Larrotiz, fundador da MoonDAO, uma organização dedicada a financiar a pesquisa espacial, também comentou que os custos atuais dos projetos são considerados “pequenos investimentos” em comparação com épocas anteriores. Ambos participaram do painel “Deep Space e a Economia Lunar – Fronteiras Estratégicas para Nações Espaciais Emergentes”, realizado no Rio Innovation Week.
A missão Garatéa-L visa colocar CubeSats, pequenos satélites pesando menos de 2 kg, na superfície lunar. Fonseca explicou a importância da Lua como um ponto de partida para projetos maiores no espaço. “A Lua é um entreposto que nos permitirá aprender e testar novas tecnologias”, disse ele, mencionando a descoberta de recursos, como a água nos polos lunares.
Esses experimentos poderiam trazer benefícios diretos ao Brasil, como testes de astrobiologia que poderiam ser aplicados na agricultura em regiões áridas. Moncada alertou que países como os Estados Unidos e a China investem na exploração espacial, reconhecendo o potencial econômico que essas descobertas podem trazer.
Fonseca enfatizou que a exploração espacial é uma área crucial, que deve ser monitorada de perto por todas as nações. Ele alertou que, se o Brasil não se posicionar agora, pode se tornar apenas um espectador no cenário global.
O Rio Innovation Week, que começou no dia 4 de outubro no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, reunirá mais de 3 mil palestrantes até o dia 7, abordando temas como tecnologia e inovação. O TecMundo acompanhará os principais painéis do evento.