Em uma manobra estratégica para enfraquecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições deste ano, emissários do presidente Lula (PT) estão buscando afastar o centrão do senador. Com apoio do Palácio do Planalto, petistas têm mantido diálogos com lideranças de partidos como Republicanos, União Brasil e PP, que já sinalizaram neutralidade em relação à disputa.
Caso esses partidos decidam apoiar Flávio, ele teria acesso a uma significativa quantidade de tempo de propaganda eleitoral na televisão, o que poderia ser decisivo para sua campanha. Em 2022, seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), contou com uma coligação que incluía PL, PP e Republicanos.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, o objetivo é estabelecer um pacto de não agressão entre o PT e candidatos do centrão, facilitando a participação desses partidos em uma possível gestão de Lula no futuro. Reconhecendo que uma aliança formal com Lula é improvável, os petistas estão afinando acordos em estados estratégicos para evitar coligações com o PL.
As conversas começaram há cerca de dois meses, com a participação de Edinho Silva, presidente nacional do PT, e líderes dos partidos em questão. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, se juntou às discussões para consolidar o entendimento. A negociação com o União Brasil, por exemplo, contou com a presença do senador Camilo Santana (PT-CE), visando uma aliança no Ceará.
O União Brasil é liderado por Antônio Rueda, e o PP, por Ciro Nogueira (PI). Ambos os partidos anteriormente flertaram com Flávio Bolsonaro, mas se distanciaram após o escândalo “Dark Horse” e a queda nas pesquisas. Os líderes do PP e do União Brasil são considerados essenciais para o sucesso das negociações.
No Piauí, o foco é evitar conflitos diretos com Ciro Nogueira, facilitando a obtenção de votos para o senador, que foi ministro no governo Bolsonaro. No Maranhão, o ex-ministro do Esporte André Fufuca, que também é pré-candidato ao Senado, está inserido nas discussões, podendo utilizar sua ligação com o governo Lula em sua campanha.
O Republicanos, presidido por Marcos Pereira (SP), se tornou a última alternativa do PL para formar uma aliança significativa. Pereira, no entanto, está em diálogo com Flávio Bolsonaro e se consultou com diretórios estaduais antes de tomar uma decisão que deve ser anunciada até 1º de agosto. A maioria dos diretórios é favorável à coligação com Flávio, mas a ala nordestina do partido se opõe, temendo que isso prejudique suas votações em regiões onde Lula é popular.
Embora a cúpula do Republicanos se mostre distante de Lula, também resiste a uma aliança com Flávio Bolsonaro. O partido inicialmente considerou apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas essa possibilidade foi descartada após a escolha de Bolsonaro pelo filho como seu sucessor.
As negociações visam estabelecer um ambiente de neutralidade, evitando críticas de Lula aos partidos durante a campanha. Aliados do petista acreditam que isso pode ser crucial para o fortalecimento das bancadas de esquerda no Congresso, pois permite que candidatos do centrão captem votos de Lula em estados favoráveis.
No final do ano passado, uma reunião secreta entre Lula e Ciro Nogueira indicou que o senador estava considerando afastar seu partido de Flávio Bolsonaro em troca de um apoio para sua reeleição no Piauí.
Fonte: redir.folha.com.br